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Ex-CEO do Google, Eric Schmidt, alerta: corrida pela superinteligência pode ser erro estratégico

Em um documento publicado na quarta-feira (5), Eric Schmidt, ex-CEO do Google, Alexandr Wang, CEO da Scale AI, e Dan Hendrycks, diretor do Center for AI Safety, argumentam que os Estados Unidos não devem adotar uma abordagem semelhante ao Projeto Manhattan para desenvolver inteligência artificial geral (AGI) com capacidades “super-humanas”.

Intitulado “Superintelligence Strategy”, o documento alerta que uma corrida unilateral dos EUA para dominar a AGI pode desencadear retaliações severas da China, incluindo possíveis ataques cibernéticos, aumentando a instabilidade global.

Os autores afirmaram que um Projeto Manhattan para AGI presume que “os rivais aceitarão um desequilíbrio duradouro ou omnicídio sem agir para preveni-lo”. Segundo eles, essa abordagem pode gerar contra-ataques hostis e uma escalada de tensões, colocando em risco a própria estabilidade que se pretende garantir.

Leia também: A inteligência artificial está banalizada ou mais poderosa do que nunca?

A publicação ocorre em meio a discussões no Congresso dos EUA sobre um programa governamental massivo para financiar o desenvolvimento da AGI, inspirado no projeto que levou à criação da bomba atômica nos anos 1940.

Recentemente, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, declarou que o país estaria “no início de um novo Projeto Manhattan para IA” reforçando a intenção de avançar rapidamente na tecnologia.

Destruição similar à nuclear

Schmidt, Wang e Hendrycks argumental que os EUA vivem uma espécie de impasse semelhante ao da destruição mútua assegurada na era nuclear. Assim como nenhuma potência busca monopolizar armamentos nucleares por medo de represálias, os autores sustentam que a corrida pela dominação da AGI pode ter consequências imprevistas.

O documento introduz o conceito de “Mutual Assured AI Malfunction” (MAIM), no qual os governos poderiam agir preventivamente para desativar projetos de IA considerados ameaçadores, em vez de esperar que adversários utilizem AGI para fins militares.

Os autores sugerem que os EUA deveriam focar menos em “vencer a corrida para a superinteligência” e mais em desenvolver mecanismos para impedir que outros países alcancem a AGI. Entre as ações recomendadas, estão o fortalecimento de capacidades cibernéticas para desativar projetos perigosos de IA em outros países e restrições ao acesso de adversários a chips avançados e modelos de IA de código aberto.

Os autores também identificam dois polos opostos no debate sobre IA: os “doomers”, que acreditam que o avanço da tecnologia levará inevitavelmente a catástrofes e defendem uma desaceleração do progresso, e os “ostriches” (avestruzes), que preferem acelerar o desenvolvimento e torcer para que os riscos sejam administráveis. Como alternativa, o documento propõe uma abordagem intermediária, priorizando estratégias defensivas e de contenção.

Segundo o TechCrunch, a mudança de tom por parte de Eric Schmidt chama atenção, uma vez que ele já foi um dos mais fervorosos defensores da necessidade de os EUA competirem agressivamente com a China no desenvolvimento de IA avançada. Há poucos meses, ele publicou um artigo alertando que o avanço do DeepSeek marcava um ponto de virada na corrida tecnológica entre as duas potências.

O governo de Trump, no entanto, parece determinado a continuar investindo pesadamente no avanço da IA. Ainda assim, os coautores do estudo enfatizam que as decisões dos EUA sobre AGI não são tomadas em um vácuo.

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