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Educadores usam tecnologia para aprimorar formação e aprendizado

Na semana do Dia dos Professores (15 de Outubro), em que também estão sendo programadas diversas manifestações pelo Brasil em que desta vez a pauta é educação, a Information Week traz a reflexão sobre a democratização do acesso ao ensino a partir de como a tecnologia, aliada à reformulação de políticas, pode desempenhar um papel fundamental na educação, como tem sido feito no estado de Utah, nos Estados Unidos.

A educação enfrenta diversos desafios atualmente, e esses desafios estão aumentando. Mesmo com o aumento da demanda no setor, obstáculos em relação a redução de curtos, qualidade e acesso às vezes parecem intransponíveis. Em tempos em que o mercado de educação busca ampliar o acesso a oportunidades e melhorar a qualidade do ensino, os orçamentos estão sendo significativamente cortados.

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Mas e se houvesse uma maneira de proporcionar educação de qualidade para todos no mundo, a um custo marginal próximo a zero? Pode parecer idealismo, mas esta possibilidade existe. Usando ferramentas técnicas e de licenciamento do século XXI para tornar o conteúdo educacional disponível gratuitamente, qualquer pessoa em qualquer poderia ter acesso a recursos educacionais de alta qualidade.

Os chamados open educational resources (da sigla em inglês OERs, que na tradução quer dizer algo como recursos educacionais baseados em padrões abertos) são conteúdos educativos (livros didáticos, currículo, vídeo, etc.) que são tanto (1) disponíveis a nenhum custo e (2) de licenciamento aberto. Os OERs permitem a reutilização livre, revisão, remixagem e redistribuição do conteúdo educacional. Isto é possível através de coisas como a internet, tecnologias digitais (que custam quase nada para armazenar, copiar e distribuir) e licenças abertas de direitos autorais  como os da Creative Commons.

Educadores de todo o mundo já estão usando OERs para melhorar o ensino. Eles não só reduzem os custos, mas permitem que professores e alunos disponibilizem conteúdos em vários formatos que melhor atendem às necessidades individuais dos alunos, que podem ser atualizados e melhorados continuamente, além de possibilitar novas e criativas maneiras de organização e proposição de conteúdos. Queremos nossos alunos formando conhecimento próprio, fazendo suas próprias criações, recriando conteúdos existente em novos trabalhos, colaborando e orientando ativamente seu próprio aprendizado. Este tipo de aprendizagem mais profunda é muito mais difícil de alcançar com um conteúdo fechado, estático.

Programas de OER podem trazer benefícios em uma proporção de 1:1 computador em relação a aluno, mas mesmo sem esses “luxuosos” recursos abertos podem entregar resultados surpreendentes. No estado de Utah, nos Estados Unidos, um programa piloto usou livros de padrões abertos com 4.000 alunos do ensino médio. Uma vez que maioria das escolas participantes não dispunham de programas de tecnologia 1:1, muitos desses livros foram impressos. O programa economizou mais de 50% nos custos através da utilização de livros, ao invés de utilizar mais licenças proprietárias. Além disso, esses livros “abertos” estão sendo atualizados anualmente, em vez de a cada sete anos.

Professores e alunos podem personalizar seus livros didáticos. Os alunos não só podem levar livros para casa, mas são autorizados a destacar, anotar e tomar notas neles, o que resulta em um envolvimento mais direto. No geral, o programa tem sido tão bem sucedido que foi expandido para todo o estado para as disciplinas de artes e matemática (Utah é um estado Common Core, tornando seus livros abertamente licenciados e úteis para os 45 estados, o Distrito de Columbia e quatro territórios que adotaram Common Core).

Outros distritos escolares dos Estados Unidos têm utilizado recursos de licença aberta como o principal conteúdo para os alunos que utilizam dispositivos móveis. A fim de diferenciar o ensino essas escolas sabem que precisam de uma variedade de recursos para lidar com uma série de níveis de leitura, estilos de aprendizagem e interesses. Além disso, essas escolas precisam de recursos instrucionais que podem ser facilmente e legalmente reformatados e colocados em uma variedade de dispositivos, como tablets e e-books. Os OERs permitem essas opções a um preço acessível, possibilitando que orçamentos sejam redirecionado de custos que se seriam gerados com livros caros para o investimento em ferramentas de tecnologia, professores e desenvolvimento profissional.

A resposta é que nós temos um problema político. A maioria dos políticos –  não só dos Estados Unidos, mas isso também pode ser aplicado no Brasil – não compreendem  omo as ferramentas técnicas e de licenciamento do século XXI podem permitir coletivamente maior acesso à educação. Sem isso, os decisores da política continuam a tomar decisões baseadas em concepções e modelos de negócios antigos.

Caminhar para modelos mais novos e mais eficientes pode parecer óbvio, mas a esfera política é lenta para promover essas mudanças e entrincheirada e influenciada o suficiente por modelos existentes. Há um profundo investimento em fazer as coisas do jeito que sempre foram feitas.

Perguntas também podem surgir, por exemplo, como modelo OER pode afetar a indústria comercial de livros didáticos? As políticas que suportam OERs não exigem qualquer alteração aos materiais produzidos comercialmente. Cada produtor de conteúdo decide vender seus bens sob qualquer licença, a qualquer preço que desejar. E os consumidores, educadores e estudantes neste caso, podem escolher qualquer material que acharem que melhor atender às suas necessidades. Esse é o sistema de um mercado livre.

Estou defendendo uma mudança por uma política materiais didáticos com financiamento público. Milhões são gastos anualmente pelos nossos governos com recursos para educação a e esses recursos de financiamento público devem ser abertos e acessíveis ao público.

A meta de gastos com a educação pública deve ser a de maximizar o alcance e o impacto da educação da forma mais eficiente e equitativa e não há melhor maneira de fazer isso do que abrindo licenças e compartilhando publicamente os recursos financiados para que mais professores, estudantes e cidadãos possam ter acesso a recursos de educação de alta qualidade.

*Agradecimentos ao professor Dr. Camble Green, diretor global de ensino da Creative Commons por muitas das ideias desse artigo.

 

 

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Editorial IT Forum 365
13 anos ago

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