A digitalização está se revelando uma ferramenta vital para melhorar a sustentabilidade das cadeias de suprimento, especialmente em países menos desenvolvidos (PMDs). De acordo com publicação do Fórum Econômico Mundial (WEF), tecnologias como inteligência artificial (IA), blockchain e Internet das Coisas (IoT) podem otimizar processos, reduzir desperdícios e diminuir a pegada ambiental das cadeias de suprimento.
Esses avanços têm o potencial de transformar o impacto econômico, social e ambiental das operações comerciais em diversas regiões, aponta o WEF, que analisou iniciativas bem sucedidas em países como Butão, Bangladesh, Camboja, Etiópia, Nepal, Ruanda, Timor-Leste e Vanuatu.
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Em países como Vanuatu e Timor-Leste, a digitalização tem trazido benefícios tangíveis, segundo o WEF. No caso de Vanuatu, a implementação do projeto Electronic Single Window possibilitou a emissão digital de certificados de segurança biológica, reduzindo o tempo de processamento de seis dias para 10 minutos e diminuindo em 86% as viagens físicas necessárias, o que resultou em uma redução de 5.827 kg de CO2, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Já o Timor-Leste experimentou uma diminuição de 90% nas viagens físicas entre agências governamentais e uma redução de 80% na documentação de alfândega, com a digitalização, reduzindo suas emissões de CO2 em 14.492 kg.
Outros exemplos de sucesso incluem a digitalização dos processos de negócios no Butão e Bangladesh. O projeto “e-infrastructure for trade and services” da Food Corporation of Bhutan facilitou a transparência de preços e reduziu custos de transação, enquanto o Centro de Inovação, Eficiência e Melhoria da Saúde e Segurança Ocupacional em Bangladesh tem treinado trabalhadores em novas tecnologias para melhorar a eficiência e cumprir normas ambientais e sociais.
A digitalização também está impulsionando a transparência das cadeias de suprimento, permitindo que consumidores rastreiem produtos desde sua origem até as prateleiras. Projetos de rastreabilidade de café na Etiópia e Ruanda, e de chá no Nepal, demonstram como essas tecnologias podem melhorar a certificação orgânica e aumentar a confiança entre produtores e compradores.
Embora a digitalização das cadeias de suprimento ajude a reduzir inventários, desperdícios e a pegada ambiental, além de economizar tempo e reduzir custos, essas vantagens não atingem grande parte da população excluída. É crucial notar que cerca de dois terços da população dos países menos desenvolvidos ainda está offline, o que limita o alcance dos benefícios da digitalização, ressalta o WEF.
A organização destaca ainda que, para que a digitalização gere benefícios duradouros e inclusivos, é essencial ampliar os esforços e integrá-los em iniciativas globais, como o Acordo-Quadro sobre Facilitação do Comércio Sem Papel Transfronteiriço e o Comércio Digital para a África. Tais ações têm o potencial de transformar as cadeias de suprimento e construir um futuro mais sustentável e justo para todos.
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