Quando um país está em crise e não se vislumbra no fim do túnel nenhuma possibilidade de recuperação, tudo parece conspirar para que a situação se deteriore ainda mais. Tenho para mim que esse ambiente ruim é como um vírus e vai contaminando a todos. A interrupção desse estado de coisas, normalmente, segue a lógica de um grande fato que reacende na maioria das pessoas a luz da esperança.
Mas, antes que me julguem como o arauto do apocalipse de pronto informo e confesso que sou um otimista incorrigível. Mais que isso, acho que a maioria das pessoas já sente no ar, nas conversas, nos noticiários, entre amigos, que estamos lentamente retomando os rumos do desenvolvimento. É nesse Brasil que acredito, que arregaça as mangas e trabalha, que não tem receio de desafios. Quando temos ventos a favor então as coisas se tornam mais fáceis e rápidas.
Tenho sim a impressão de que estamos entrando em um círculo virtuoso. O cenário ideal e que devemos buscar de forma incansável é aquele no qual as empresas produzem cada vez mais, o comércio vende mais, as pessoas conseguem emprego e todos consomem mais. Pela curva da retomada do consumo iremos gradativamente recuperar o PIB.
Muitos não se dão conta, mas para que a economia se desenvolva e recupere índices do passado é preciso que as famílias retomem hábitos de consumo que foram cortados com a crise econômica. Isso é o que movimenta todo o resto. Sem esse movimento por novos produtos e serviços a agricultura não caminha, muito menos a indústria e o comércio. As famílias precisam de novo sentir confiança e trocar a geladeira e a TV, como faziam antes. Isso faz girar a roda.
Os noticiários também têm mostrado melhoras no nível de ocupação, na utilização da capacidade ociosa das empresas, a manutenção de maneira mais firme do comércio e dos prestadores de serviços. Começa a aparecer com maior vigor a pujança da agricultura e a volta gradual da nossa indústria. Mas, para a consolidação desse ambiente, são necessárias mudanças positivas no campo da segurança pública, das políticas sociais e, o mais importante, das reformas, como a da Previdência e a Tributária.
Tudo isso pode interferir diretamente na confiança de investidores, tanto internos quanto externos. Pode ser o fiel da balança entre retomar projetos ou mantê-los na gaveta. Sem esse ambiente saudável, livre de crises políticas e econômicas, sem marcos regulatórios bem definidos, será muito difícil qualquer governo devolver o Brasil aos trilhos do desenvolvimento.
Outro ponto que considero fundamental também é o diálogo. Há no Brasil uma classe empresarial que há anos amarga períodos muito ruins, que resiste como pode e tenta a todo custo manter seu negócio, seus empregados, os investimentos feitos. A manutenção desses ativos é, por si só, um enorme desafio, que tem sido cumprido com grande sacrifício, muitas vezes envolvendo até a situação pessoal de cada um. Agora, portanto, o que se espera é que esse movimento por um Brasil melhor siga contando muito com esse empresariado.
Esperamos que seja reconhecido todo o esforço, todo o papel social de cada segmento, que haja respeito e acima de tudo diálogo. Se há correções de rumo a serem feitas, que sejam feitas por todos, em conjunto e com muita discussão. De nossa parte, estamos totalmente abertos a isso.
*José Jorge do Nascimento Júnior é presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos – ELETROS
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