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Desconfiança e tarifas levam empresas a repensar uso da nuvem dos EUA

A soberania digital está deixando de ser um conceito abstrato para se tornar prioridade concreta entre líderes de tecnologia fora dos Estados Unidos. Um novo relatório da Civo revela que mais de 60% dos CIOs e líderes de TI britânicos defendem que o governo do Reino Unido pare de usar serviços de nuvem fornecidos por empresas americanas, citando riscos econômicos, políticos e de segurança.

O levantamento, divulgado pelo TechRadar, indica ainda que quase metade (45%) das empresas já considera seriamente repatriar dados e aplicações da nuvem pública para ambientes privados ou controlados internamente, um movimento que ganha força à medida que aumentam as preocupações com privacidade, compliance e flutuações de custos provocadas por tensões comerciais globais.

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Soberania de dados deixa de ser discurso e vira estratégia

A desconfiança em relação às big techs dos EUA não é pontual. Segundo o estudo, apenas um terço (36,6%) dos tomadores de decisão confia que provedores de IA e nuvem norte-americanos manejem seus dados de forma adequada. A questão da soberania dos dados aparece como o segundo fator mais relevante para essa mudança de direção atrás apenas do custo.

Com gigantes como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud dominando cerca de dois terços do mercado global de nuvem, a resistência crescente representa um desafio estratégico. Para muitas empresas europeias, os modelos centralizados de armazenamento e processamento de dados já não oferecem as garantias exigidas em termos de governança e transparência.

Europa lidera, Reino Unido tenta acompanhar

Com regras mais rígidas de proteção de dados, como o GDPR na União Europeia, as empresas do bloco estão à frente no desenvolvimento de estratégias voltadas à soberania digital. Agora, executivos britânicos querem que o Reino Unido acompanhe esse ritmo.

“O mercado está muito mais consciente do valor dos dados”, afirmou Mark Boost, CEO da Civo. Para ele, a tendência de repatriação e regionalização da nuvem não é apenas técnica, mas também política. “Os provedores dos EUA não estão conseguindo atender à demanda por visibilidade e controle”, declarou.

Novo campo de batalha da nuvem é geopolítico

Além de proteger os dados, a motivação para a mudança também envolve aspectos econômicos. Tarifas decorrentes de tensões comerciais entre países estão impactando os custos dos serviços prestados por empresas dos EUA, tornando alternativas locais ou europeias mais atraentes.

O relatório aponta que a combinação de segurança jurídica, estabilidade de preços e controle territorial sobre os dados está influenciando diretamente a jornada das empresas na nuvem.

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