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Desafio da IA está em transformar benchmarks em impacto, governança e soberania

Modelos como o Grok 4, da xAI, têm ganhado destaque por suas performances impressionantes em benchmarks acadêmicos. No entanto, há uma lacuna crescente entre esses resultados técnicos e a efetividade da tecnologia aplicada aos negócios. A análise de James Barroso, diretor de Estratégia e IA da Infor Latam, parte justamente desse ponto. É na operação, e não nos testes laboratoriais, que a inteligência artificial (IA) precisa provar seu valor.

Com base em sua experiência, Barroso ressalta que o impacto da IA generativa só se concretiza quando ela contribui para ganhos tangíveis, como aumento de produtividade, redução de erros e decisões mais rápidas.

Ele cita casos práticos como o de um banco brasileiro, que reduziu de 15 para 3 minutos o tempo de análise contratual, e o da distribuidora Endries, que economizou 7,5 mil horas ao ano com automação de processos e integração de IA, reforçam essa perspectiva.

A efetividade de qualquer modelo, alerta, seja o Grok 4 ou soluções desenvolvidas pela própria Infor, depende, segundo ele, da capacidade de adaptação ao legado tecnológico da empresa, da robustez das estruturas de validação e do cuidado com os dados sensíveis. A métrica não é mais apenas técnica, mas estratégica e operacional.

IA: governança, ética e soberania como critérios de maturidade

À medida que a IA generativa se insere no universo corporativo, emergem novas exigências em torno da governança tecnológica. O conceito de vibe coding, exemplifica Barroso, mostra uma mudança de paradigma. A IA passa a interpretar intenções humanas e gerar soluções de maneira autônoma, o que eleva o nível de complexidade da supervisão. “Mais velocidade exige mais controle”, aponta.

Nesse contexto, frameworks éticos, práticas de DevSecOps e auditoria contínua deixam de ser diferenciais e passam a ser pré-requisitos. Especialmente em setores regulados, o papel humano permanece central nas decisões críticas, a IA pode apoiar, mas não substituir.

Outro eixo da análise de Barroso é a soberania dos dados. Ele destaca que, na América Latina, onde legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) se consolidam, a dependência de ecossistemas proprietários pode representar um entrave à autonomia estratégica das empresas. Modelos que permitem implantação híbrida, portabilidade de dados e integração com diferentes plataformas são, em sua visão, mais adequados para esse cenário.

“A abordagem da Infor, que prioriza customização por indústria, interoperabilidade e parcerias regionais, surge como uma tentativa de construir soluções que respeitam as especificidades do contexto local”, atesta o executivo. Ele lembra que essa visão não se opõe necessariamente à inovação promovida por grandes players globais, mas sugere um caminho complementar, orientado pela realidade operacional das empresas e pelos marcos regulatórios que regem seus dados.

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