O ritmo do crescimento dos investimentos em inovação no Brasil caiu 25 pontos percentuais nos últimos anos. Essa é uma das conclusões do Panorama da Inovação 2025, estudo produzido pela Gröwnt (antiga GT Group). Embora o volume tenha crescido acima da inflação desde 2017, a expansão perdeu fôlego a partir de 2021. Entre 2020 e 2021, os aportes cresceram 56%. No ano seguinte, a alta foi de 31%, e em 2023, o avanço ficou em apenas 17%, indicando uma tendência de arrefecimento no esforço de inovação.
Em 2024, o levantamento teve como foco orientar as organizações na melhor utilização dos incentivos fiscais oferecidos pela Lei do Bem. Já em 2025, o escopo da pesquisa foi ampliado para incluir também análises sobre mecanismos de crédito público voltados à inovação, como os operados pela Finep, BNDES e Inovacred.
O relatório aponta que, embora o país tenha atingido um marco histórico ao investir R$ 41,93 bilhões em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) neste mesmo ano, um sinal de alerta sobre a sustentabilidade dos aportes e reforça a necessidade de adotar estratégias mais diversificadas para fomentar a inovação.
Esse aporte recorde foi impulsionado, em partes, pelo programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado em fevereiro de 2024. A iniciativa visa transformar o setor industrial brasileiro por meio de políticas inovadoras e incentivos à descarbonização, digitalização e fortalecimento das cadeias produtivas.
De acordo com o estudo, empresas do setor farmacêutico conseguiram reduzir, em média, 49% do IRPJ/CSLL, enquanto setor alimentício obteve uma economia de 34%. Em 2023, 22% das empresas beneficiadas conseguiram zerar sua tributação.
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“Mais do que um alívio tributário, essas isenções representam um mecanismo estratégico para fortalecer a capacidade de inovação das empresas brasileiras. Ao permitir o redirecionamento de recursos para pesquisa, desenvolvimento e modernização tecnológica, a Lei do Bem contribui diretamente para o aumento da produtividade, a geração de empregos qualificados e o posicionamento competitivo do país no cenário global”, disse Fabrizio Gamminio, co-CEO da Gröwnt
Apesar dos avanços no cenário de inovação no Brasil, o estudo revela desafios críticos que precisam ser abordados para garantir um crescimento sustentável e inclusivo. A atual predominância de grandes empresas no setor de inovação é um deles, destacando um potencial inexplorado entre pequenas e médias empresas.
“O modelo de incentivos vigente, embora tenha gerado resultados positivos, está começando a mostrar suas limitações estruturais. A concentração de recursos e incentivos em grandes corporações cria um ambiente onde pequenas e médias empresas, que muitas vezes carecem de capital e apoio institucional, são deixadas à margem.”, explica Cristiano Vicente, diretor de Inovação da Gröwnt.
O executivo alerta que, para sustentar um crescimento de longo prazo, é essencial rever o modelo atual: “Embora os números absolutos ainda impressionem, o ritmo de crescimento está enfraquecendo. Se não repensarmos as políticas públicas, o Brasil corre o risco de perder competitividade”, completa.
Internacionalmente, países como Islândia e Alemanha têm adotado políticas fiscais semelhantes, utilizando isenções fiscais como um vetor de inovação e crescimento econômico. Na Islândia, por exemplo, as empresas que investem em PDI podem deduzir até 20% de seus custos de pesquisa, enquanto na Alemanha, o governo oferece créditos fiscais para despesas de PDI, incentivando a inovação em setores estratégicos.
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