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Demanda por IA acelera retomada das usinas a gás nos EUA

O setor energético dos Estados Unidos está enfrentando um aumento inesperado na construção de novas usinas a gás natural, resultado da crescente demanda por energia de centros de dados de inteligência artificial, veículos elétricos e indústrias de manufatura. Especialistas que acreditavam na redução da dependência de combustíveis fósseis se surpreendem com o ritmo acelerado de novos projetos, contrariando previsões anteriores.

Embora o gás natural tenha sido considerado uma solução temporária mais limpa para substituir o carvão, a construção de novas usinas representa um dilema ambiental. O gás, embora menos poluente que o carvão, emite metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono.

A preocupação aumenta diante do fato de que essas usinas, ao entrarem em operação, podem manter emissões significativas pelos próximos 40 anos ou mais, prolongando o impacto ambiental em um momento em que os Estados Unidos buscam cumprir metas de descarbonização.

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Dados da Sierra Club mostram que, apenas nos primeiros seis meses de 2024, mais projetos de usinas a gás foram anunciados do que durante todo o ano de 2020. Se o ritmo continuar, 2024 poderá marcar o maior volume de novos projetos de geração a gás desde 2017. Entre as regiões com mais projetos em andamento estão o Texas e o Sudeste dos EUA.

Como o avanço das usinas a gás impacta o mercado?

Cara Fogler, diretora adjunta de pesquisa do Sierra Club, expressou preocupação com a mudança de estratégia das concessionárias de energia, que antes planejavam reduzir sua dependência do gás, mas agora estão cada vez mais comprometidas com essa fonte. Segundo estimativas dos analistas da Bloomberg Intelligence, Rob Barnett e Patricio Alvarez, a demanda por gás no setor de energia dos EUA pode crescer até 30% até 2030, em comparação com os níveis atuais.

Enquanto isso, algumas concessionárias, como a PacifiCorp, ajustaram suas metas ambientais, revisando prazos de descarbonização devido à demanda crescente por energia. Antes, a empresa projetava uma redução de 78% nas emissões de carbono até 2030, agora, a meta foi revisada para 63%, com um aumento planejado da capacidade de geração a gás.

Com o consumo de eletricidade por data centers projetado para aumentar até dez vezes até 2030, analistas avaliam que a crescente dependência do gás pode dificultar o cumprimento de metas de energia limpa nos EUA, tornando o cenário energético ainda mais desafiador.

*Com informações da Bloomberg News

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