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DeepSeek abalou os mercados em 2025. Por que isso não se repetiu desde então?

Quase um ano depois de provocar um dos maiores solavancos recentes nas ações de tecnologia, a chinesa DeepSeek deixou de ser o gatilho de pânico que marcou janeiro de 2025. À época, a revelação de um modelo de inteligência artificial (IA) capaz de rivalizar com os sistemas mais avançados do Ocidente levou investidores a questionarem a liderança dos Estados Unidos em IA e a reprecificarem, de forma abrupta, o setor de semicondutores e infraestrutura digital.

O impacto foi imediato. Papéis de gigantes como Nvidia, Broadcom e ASML despencaram em um único pregão, eliminando centenas de bilhões de dólares em valor de mercado. A Nvidia chegou a perder cerca de US$ 600 bilhões em capitalização naquele momento, refletindo o temor de que a demanda por chips de alto desempenho fosse impactada.

Onze meses depois, o cenário é outro. As ações dessas empresas não apenas se recuperaram como seguiram em trajetória de crescimento. A Nvidia atingiu uma avaliação de US$ 5 trilhões em outubro de 2025, enquanto Broadcom e ASML acumularam altas expressivas ao longo do ano. O mercado, ao que tudo indica, absorveu o choque inicial e passou a enxergar os movimentos da DeepSeek de forma diferente.

Leia também: 6 previsões de observabilidade para 2026

Mudança nas crenças da IA

Segundo analistas ouvidos pela CNBC, o impacto de janeiro de 2025 foi excepcional porque alterou crenças fundamentais sobre dois pilares do setor: o custo para treinar modelos de fronteira e o grau de competitividade da China em inteligência artificial avançada.

A DeepSeek apresentou, primeiro, o modelo V3, de código aberto, alegando ter alcançado desempenho comparável ao de sistemas líderes com chips menos potentes e custos significativamente menores. Poucas semanas depois, lançou o modelo de raciocínio R1, que atingiu ou superou benchmarks globais.

Desde então, a empresa divulgou ao menos sete atualizações incrementais de seus modelos. Nenhuma, porém, provocou reação semelhante nos mercados. Para analistas, isso se deve em parte à natureza dessas entregas, vistas mais como aprimoramentos contínuos do que como rupturas tecnológicas capazes de redefinir expectativas.

Outro fator central é a limitação de poder computacional. Restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips avançados reduziram o acesso da China a semicondutores de última geração, criando gargalos para o treinamento de novos modelos de grande escala. Relatos da imprensa internacional indicam que a DeepSeek chegou a adiar o lançamento do modelo R2 por dificuldades em treiná-lo com processadores desenvolvidos localmente, incluindo chips da Huawei.

Especialistas apontam que avanços algorítmicos ajudam a melhorar eficiência, mas não substituem totalmente o acesso a grande capacidade de computação. A própria DeepSeek reconheceu, em artigo técnico recente, que enfrenta limitações quando comparada a modelos fechados de fronteira, como OpenAI, Anthropic e Google.

Além disso, o fluxo constante de lançamentos no Ocidente ajudou a reduzir o temor de uma “comoditização súbita” da IA. Em 2025, o mercado acompanhou a apresentação do GPT-5 pela OpenAI, novas versões do Claude pela Anthropic e o lançamento do Gemini 3 pelo Google. A concorrência intensa e o ritmo acelerado de melhorias reforçaram a percepção de liderança contínua dos Estados Unidos no desenvolvimento de modelos avançados.

Para investidores, outro ponto relevante foi a confirmação de que o choque da DeepSeek não se traduziu em retração nos investimentos em infraestrutura de IA. Ao contrário. Empresas de tecnologia mantiveram, e em alguns casos ampliaram, seus planos de gastos em data centers, chips e capacidade de processamento ao longo de 2025, com expectativas de aceleração em 2026.

Ainda assim, analistas não descartam novos momentos de volatilidade. No fim de 2025, a DeepSeek publicou um estudo descrevendo métodos mais eficientes de desenvolvimento de modelos, sinalizando que pode estar preparando uma entrega mais significativa nos próximos meses. Para o mercado, permanece a percepção de que episódios como o de janeiro de 2025 não foram um ponto fora da curva, mas parte de um ambiente de inovação acelerada e competição global cada vez mais intensa.

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