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Como as urnas eletrônicas podem ser mais seguras, segundo cientistas

A primeira vez que os brasileiros escolheram um candidato por meio de urnas eletrônicas foi em 1996, em uma época que poucos no País tinham familiaridade com o computador e a internet comercial sequer tinha chegado por aqui. Entretanto, 22 anos depois, questiona-se se o método é de fato seguro. Afinal, seria o voto impresso uma melhor opção em relação à segurança? Para o professor Mário Gazziro, pós-doutorando do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, o voto em papel é, na verdade, um avanço. Em reportagem publicada pelo portal do ICMC, Gazziro reflete: “Porque é a única forma de garantir que os votos sejam auditados caso haja algum problema no registro eletrônico”. O pesquisador integra um grupo de cientistas brasileiros que pesquisa tecnologias eleitorais.

O debate sobre a segurança das urnas eletrônicas não é de hoje, claro. Ele retoma desde a sua implementação no Brasil. Entretanto, ele ganhou força a partir da realização de testes públicos de segurança. Em 2013, Gazziro organizou o 1º Fórum Nacional de Segurança em Urnas Eletrônicas no ICMC, um evento que serviu para jogar mais luz ao tema.

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“Permitir a conferência do registro de voto do eleitor por meio da impressão em papel não é um retrocesso porque não significa inutilizar o voto eletrônico ou retornar à forma antiga de apuração manual”, garante Gazziro ao site da universidade. Em sua visão, o voto impresso permite ao eleitor saber se o voto gravado eletronicamente corresponde, de fato, ao voto dado. Com a impressão, os votos podem ser auditados. “Isso não quer dizer que todos os votos impressos serão contados manualmente como fazíamos no passado, mas assegura que é possível sortear algumas urnas para auditar estatisticamente o resultado”, explicou.

Walter Del Picchia, professor aposentado da Escola Politécnica da USP, compartilha de visão semelhante. No artigo As urnas brasileiras são vulneráveis, publicado no Jornal da USP em maio deste ano, ele escreve: “O fato é que as urnas eletrônicas brasileiras são as mais atrasadas dentre as usadas na dezena de nações que praticam a eleição eletrônica. Elas não permitem saber se o voto gravado corresponde ao voto dado e não possibilitam auditoria”.

Para Diego Aranha, um dos maiores especialistas no assunto, professor na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, o voto impresso não deve ser visto apenas como um backup, mas uma forma do sistema provar ao eleitor que a software das urnas eletrônicas está funcionando corretamente.

Nesta ano, a Procuradoria Geral da República argumentou que implementar um mecanismo de impressão do voto colocaria em risco o sigilo do mesmo. Algo contestado pelos pesquisadores. Segundo Gazziro, o registro em papel não significa que o eleitor será identificado. “Independentemente do sistema eleitoral adotado, precisamos garantir que a autoria do voto seja mantida em sigilo e o conteúdo torne-se público. O problema é que, atualmente, a urna eletrônica brasileira não garante sequer o sigilo da autoria”, explicou.

O professor revela que mesmo os votos sendo anônimos e embaralhados na urna eletrônica, ainda podem ser relacionados com o número do título de cada eleitor, que é digitado pelos mesários antes do cidadão ingressar na cabine eleitoral. Em testes de segurança, especialistas conseguiram quebrar o sigilo dos votos.

Para além das urnas

Muitos pesquisadores também têm defendido o uso da Blockchain, tecnologia que sustenta o bitcoin e outras criptomoedas para aumentar a segurança e o processo democrático do voto.

Dada as suas características, a blockchain configura como um protocolo da confiança. Nela, todas as transações que acontecem são reunidas em blocos, onde cada um é ligado ao anterior por um elo e cada bloco é trancado por uma chave de criptografia. Para hackear o sistema, uma pessoa precisaria hackear todos os blocos e cadeias, algo praticamente impossível. Ao mesmo tempo, dada que é pública, qualquer pessoa pode verificar e auditar as movimentações nela registradas, sejam transações de valor do bitcoin ou uma contagem de votos em uma eleição, por exemplo. Ao incorporar a tecnologia nos sistemas de votação, qualquer pessoa poderia auditar os resultados, garantindo que todos os votos foram contados corretamente e que nenhuma cédula fraudulenta foi adicionada.

Entretanto, dada que é uma tecnologia emergente, muito ainda precisa ser colocado em prova. André Leon S. Gradvohl, professor de tecnologia da Unicamp e membro sênior do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), vê a blockchain como uma grande evolução tecnológica do nosso sistema de votação, mas que ainda está amadurecendo. “Há poucas aplicações reais em sistemas de votação e ainda assim são aplicações em pequena escala”, explicou em entrevista ao IDG Now!.

*Com informações do portal ICMC/USP São Carlos
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fsanches
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