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Com restrições dos EUA, China corre para criar ecossistema local de chips de IA

As sanções impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips avançados e equipamentos semicondutores estão forçando a China a acelerar o desenvolvimento de sua própria cadeia de suprimentos em inteligência artificial (IA).

O movimento vem mobilizando bilhões de dólares em investimentos públicos e privados no país, mas especialistas ouvidos pela CNBC alertam: embora haja avanços em áreas como memória, os gargalos em design, fabricação e equipamentos seguem significativos.

A proibição de venda de chips da Nvidia, por exemplo, estimulou a entrada de novas empresas chinesas no setor de processadores de IA. Startups como Enflame e Biren Technology tentam ocupar o espaço deixado pela líder americana.

De acordo com a CNBC, no entanto, é a Huawei, por meio de sua divisão HiSilicon, que desponta como a aposta mais promissora da China. Seu chip mais avançado, o Ascend 910C, pode estar apenas uma geração atrás dos modelos que a Nvidia ainda consegue vender no mercado chinês, segundo análise da SemiAnalysis.

Leia também: Nvidia criará fábricas de IA e modelos soberanos para a Europa

Fabricação local e equipamentos seguem como grandes obstáculos

Apesar de avanços em design, a China ainda esbarra na limitação mais crítica: a fabricação de chips de ponta. A principal fabricante local, a SMIC, só produz oficialmente chips de 7 nanômetros, enquanto empresas como TSMC, de Taiwan, já operam com tecnologia de 3 nanômetros. Sem acesso às máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) da holandesa ASML, fundamentais para fabricar chips de última geração, a China recorre a técnicas menos eficientes e com rendimento reduzido.

Segundo o analista Jeff Koch, da SemiAnalysis, esse processo de “forçar a barra” usando equipamentos menos avançados pode ter chegado ao limite. “A SMIC consegue produzir chips de 7nm, mas com rendimentos baixos. Isso impede que ela atenda à demanda doméstica por aceleradores de IA”, afirmou à CNBC.

Para contornar essa limitação, a China estuda alternativas tecnológicas e tenta desenvolver equipamentos próprios. A empresa SiCarrier Technologies, por exemplo, estaria colaborando com a Huawei em novas abordagens de litografia.

Na frente de memória, componente essencial para o funcionamento de modelos de IA, a situação é um pouco mais promissora. A ChangXin Memory Technologies (CXMT), em parceria com a Tongfu Microelectronics, iniciou esforços para produzir memórias HBM (High Bandwidth Memory), padrão atual da indústria para aplicações de IA. Ainda assim, estima-se que a CXMT esteja de três a quatro anos atrás de líderes globais como SK Hynix, Samsung e Micron.

Relatos da imprensa chinesa sugerem que a Huawei estaria apoiando a fabricação de memórias HBM com a foundry Wuhan Xinxin, enquanto utiliza estoques antigos da Samsung para equipar seus chips Ascend.

Apesar dos esforços de substituição, o relatório da SemiAnalysis destaca a dependência persistente da China em relação à indústria estrangeira. “Sejam memórias da Samsung, wafers da TSMC ou equipamentos dos EUA, Holanda e Japão, a cadeia chinesa ainda é altamente dependente de tecnologia externa.”

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