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CEO da Anthropic prevê desemprego em massa causado pela IA, e sem plano de mitigação

A inteligência artificial (IA) pode estar prestes a desencadear uma nova crise no mercado de trabalho e não se trata mais de especulação. Para Dario Amodei, CEO da Anthropic, criadora do modelo de IA Claude, os efeitos já são visíveis e vão se intensificar.

Ele estima que até 50% dos empregos de entrada em áreas administrativas e intelectuais podem ser eliminados pela IA em um prazo de um a cinco anos, levando o desemprego nos Estados Unidos a um patamar alarmante de até 20%.

A fala de Amodei foi direcionada ao governo dos Estados Unidos e vem acompanhada de um alerta. Segundo ele, a maior parte das pessoas ainda não percebe o que está prestes a acontecer. “Parece absurdo, ninguém acredita”, afirmou o executivo, de acordo com informações da TechRadar e da Axios. Mas, segundo ele, esse impacto é real e iminente, mesmo diante das promessas positivas da IA, como curas para doenças, crescimento econômico acelerado e orçamentos equilibrados.

Leia também: Custo e controle de dados ainda são os maiores impeditivos para adoção de IA, afirma IDC

Paradoxo da revolução tecnológica

A previsão de Amodei se junta a outras vozes influentes. Steve Bannon, ex-assessor do presidente dos EUA, Donald Trump, também apontou que as funções administrativas, técnicas e de gestão júnior, fundamentais na trajetória de jovens profissionais, estão sendo “dizimadas” pela automação. Dados recentes indicam um crescimento de quase 2% nos cortes de vagas no setor de tecnologia em 2025, atribuídos diretamente à adoção de sistemas de IA.

Custo humano da eficiência

O cenário traçado lembra o que ocorreu com a automação industrial nas décadas passadas, mas agora em ritmo muito mais acelerado. Com o avanço da IA generativa, não são apenas trabalhadores operacionais que enfrentam risco, cargos em direito, finanças, comunicação, tecnologia e RH estão entre os mais vulneráveis.

Paradoxalmente, a busca das empresas por eficiência pode gerar arrependimento. Um levantamento feito no Reino Unido mostra que mais da metade das empresas que trocou pessoas por IA acabaram se decepcionando com os resultados. A automação pode reduzir custos no curto prazo, mas comprometer inovação, cultura e até produtividade a longo prazo.

E agora?

Amodei reconhece que os produtores de tecnologia têm uma “obrigação moral” de alertar sobre o que está por vir. Mas até agora, as advertências têm vindo desacompanhadas de propostas concretas de transição, compensação ou requalificação.

Enquanto isso, a pressão para adoção de IA nas empresas continua crescendo, e a sociedade corre o risco de enfrentar uma disrupção sem precedentes no mundo do trabalho, sem bússola ou rede de segurança.

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