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Brasil tem protagonismo na tokenização, mas segurança e infra são desafios

O Brasil ocupa uma posição de vanguarda quando o assunto é a tokenização dos serviços financeiros. Ainda existem, no entanto, desafios regulatórios e tecnológicos que precisam ser superados pelo setor financeiro nacional para que essa tendência se consolide. Esses foram os principais pontos discutidos no painel “A economia tokenizada avança”, que abordou o papel do mercado brasileiro no avanço global da inovação, nesta terça-feira (10), durante a Febraban Tech 2025.

Para Bernardo Srur, diretor-presidente da Abcripto, o cenário da tokenização já é uma realidade no País. No ano passado, destacou, R$ 1,3 bilhão em ativos foi tokenizado no mercado regulado nacional – um crescimento de 300% em relação ao período anterior. O executivo celebrou o resultado, mas antecipa que a expectativa para este ano é de uma nova evolução à medida que as iniciativas com o Drex, a moeda digital do Banco Central, avancem.

“A gente espera que isso seja muito maior neste ano”, afirmou. “Esperamos a ampliação da regulação para outros tipos de ativos e também uma revisão das normas dos mercados de capitais pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para introduzir essa nova dinâmica.”

Leia mais: Banco Central aposta em revolução regulatória com Pix 2.0, Open Finance e Drex

George Smetana, especialista em estratégia regulatória do Bradesco, corrobora o ponto trazido por Srur. Para ele, o setor financeiro tradicional já sente o impacto da migração de “bilhões” de reais do sistema convencional para o ecossistema cripto. Cabe ao segmento, no entanto, analisar por que essa evasão tem ocorrido e buscar se adaptar.

“Precisamos entender se o cliente está em busca de uma alternativa para diversificar seu portfólio de investimentos ou se procura algo que não oferecemos no modelo tradicional”, declarou. “É uma nova dinâmica de mercado.”

Essa nova lógica, entretanto, acende um alerta sobre alguns entraves para o setor – entre eles, a questão da segurança. Como lembra André Portilho, sócio e head de ativos digitais do BTG Pactual e da MYNT, o setor financeiro lida diretamente com a vida das pessoas, o que exige cautela na implementação de inovações. “É preciso ter maturidade e garantir que a evolução ocorra com os devidos cuidados”, pontuou.

Um exemplo é a segurança: enquanto o sistema financeiro tradicional já conta com uma base sólida de mecanismos de proteção, o ambiente tokenizado ainda apresenta incertezas – não à toa, lembraram os participantes, a tecnologia tem sido o meio preferido de fraudadores em ataques do tipo ransomware. O mesmo vale para a discussão sobre privacidade e transparência na blockchain.

“A segurança é tudo. E ela, geralmente, falha no elo mais fraco, que é o usuário”, comentou Smetana, do Bradesco. “Precisamos cuidar de toda a jornada do cliente: será que ele compreende o serviço baseado em blockchain?”, provocou.

Outro desafio ainda presente é o de infraestrutura. Driss Temsamani, head de Digital de Tesouraria e Comércio para as Américas do Citi, argumentou que a internet atual é uma tecnologia “obsoleta” para suportar a tokenização. Segundo ele, é necessário um novo modelo baseado em blockchain, que una elementos como conciliação e identidade, a fim de viabilizar a transformação dos serviços financeiros.

“O setor privado é muito bom em gerar valor sobre a infraestrutura, mas quem a cria é o banco central. Hoje, ainda temos um longo caminho de modernização da estrutura bancária. O próximo estágio é uma infraestrutura tokenizada que possa servir de plataforma para que bancos, fintechs e outros agentes criem valor”, afirmou. “A promessa da IA só se tornará realidade quando tivermos essa nova base tecnológica.”

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