Entre os consumidores brasileiros que buscam tomar crédito, apenas 34% sabem dizer a taxa de juros que pagaram no último produto contratado. Apesar disso, a maioria dos entrevistados por um estudo da Matera dizem que a taxa de juros é o principal critério de escolha no momento de decidir tomar um empréstimo.
Os dados fazem parte de um estudo – chamado Jornada de Crédito: como consumidores e executivos avaliam oportunidades e riscos – feito pela Matera Insights, unidade de negócio da Matera especialista em crédito. Para a empresa, os números indicam que as instituições financeiras têm a oportunidade de tornar ofertas de crédito mais relevantes no momento da decisão do consumidor.
O estudo aponta ainda que 30% dos entrevistados já contrataram crédito por conta de uma oferta recebida.
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“O grande paradoxo é que, enquanto a taxa de juros é um dos principais fatores de avaliação para tomar um crédito, os consumidores nem sempre têm conhecimento sobre os valores que estão pagando. Isso sugere que esse critério pode não ser o único ou necessariamente o mais influente no momento da decisão de contratar crédito”, diz em comunicado Ricardo Ferreira, diretor de operações da Matera Insights.
A pesquisa também revela que consumidores que conhecem os juros atrelados aos produtos financeiros tendem a contratar 20% mais por meio de ofertas recebidas. Além disso, 30% dos entrevistados apontam que a principal melhoria no processo de tomada de crédito seria a disponibilização antecipada de informações essenciais, como taxas e prazos.
Outros critérios considerados, além da taxa de juros, são capacidade de pagamento; prazos e flexibilidade de condições; benefícios adicionais, como programas de cashback e fidelidade; e confiança na instituição financeira, muitas vezes fundamentada no histórico de relacionamento do cliente com a empresa. A única exceção nesse comportamento ocorre no empréstimo consignado, onde a facilidade de aprovação supera a preocupação com os juros.
O uso da inteligência artificial (IA) no setor de crédito continua evoluindo, se tornando uma estratégia mais sofisticada para personalizar ofertas e aumentar a eficiência operacional das instituições financeiras. De acordo com executivos do setor escutados pela pesquisa, a tecnologia está sendo usada para segmentar perfis de clientes, criar fluxos dinâmicos de contratação e desenvolver personas baseadas em dados internos e externos, permitindo análises mais precisas e personalizadas na concessão de crédito.
Uso de chatbots para atendimento, análise de dados não estruturados e parceiros especializados têm sido as mais comuns no setor, pela promessa de facilitar a oferta de crédito no momento mais adequado para o consumidor. A pesquisa indica que o avanço na capacidade de processamento de dados está ampliando as aplicações da IA.
Os executivos entrevistados acreditam que o mercado de crédito enfrentará desafios importantes em 2025, especialmente o cenário macroeconômico adverso, com juros elevados, inflação persistente e aumento do endividamento. Os fatores podem impactar a demanda por crédito e a capacidade de pagamento dos consumidores.
Além disso, a necessidade de personalização das ofertas se torna cada vez mais evidente, exigindo que instituições adotem tecnologias mais avançadas para entender melhor os clientes e oferecer produtos mais alinhados às necessidades deles.
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