A inteligência artificial (IA) está ganhando corpo nas empresas brasileiras, conforme a pesquisa Antes da TI, a Estratégia 2025, realizada pelo IT Forum. Segundo o levantamento, 83% dos CIOs pretendem investir em IA neste ano, praticamente o mesmo patamar de 2024, quando o índice era de 81%. A diferença está na maturidade: enquanto no ano passado 44% desses investimentos ainda eram iniciais, em 2025 esse número caiu para 30%, indicando que as iniciativas estão avançando e deixando de ser meramente experimentais. Ainda assim, sua aplicação é marcada por estágios exploratórios e muitas dúvidas sobre governança, ética e arquitetura tecnológica.
É nesse cenário que a Hewlett Packard Enterprise (HPE) aposta no Private Cloud AI, solução desenvolvida globalmente em parceria com a Nvidia e que, segundo Ricardo Emmerich, diretor-geral da HPE Brasil, está evoluindo para se tornar um verdadeiro “turn key” de IA para ambientes corporativos híbridos.
“Começamos esse projeto no ano passado com a Nvidia, e agora ele amadureceu, tanto com novas GPUs quanto com uma camada de software que orquestra toda a gestão da nuvem privada de IA. O objetivo é facilitar a vida das empresas que querem trazer a inteligência artificial para dentro de casa, mas sem perder flexibilidade”, afirma Emmerich.
Segundo o executivo, muitas empresas no Brasil ainda estão no início da jornada de IA, principalmente no uso de modelos generativos. Em áreas como petróleo e gás, bancos e pesquisa, o uso de modelos preditivos já é consolidado, mas a IA Generativa (GenAI) ampliou o alcance e trouxe novas demandas.
“No início, as empresas vão para a nuvem pública, porque é mais rápido testar, fazer MVPs. Mas quando o projeto precisa escalar, começa o debate sobre custo, segurança e arquitetura. A Private Cloud AI oferece uma alternativa para rodar IA com desempenho e controle, aproveitando o melhor dos dois mundos: nuvem pública para tarefas específicas e nuvem privada como centro decisório”, explica.
Essa abordagem híbrida permite usar modelos de linguagem (LLMs) públicos, detalha o executivo, para estruturar dados em linguagem natural, ao mesmo tempo em que bases privadas fazem a conexão com dados sensíveis, mantendo a privacidade. “É um avanço natural da nuvem híbrida na era da IA”, diz.
A aplicação de IA nas empresas tem enfrentado um desafio silencioso: a governança. Para Emmerich, não adianta começar com a tecnologia sem antes definir princípios éticos claros e uma estrutura de governança de dados que respeite leis como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“Os executivos estão preocupados com os impactos éticos e reputacionais da IA. Precisamos garantir que a IA não tenha vieses que vão contra os valores da empresa. E tem também a questão da ‘Shadow IA’, modelo no qual qualquer pessoa pode usar. Então é essencial ter regras de governança antes de tudo. Só depois disso vem a escolha da tecnologia”, alerta.
Além da nuvem e da IA, a HPE está apostando em redes inteligentes que personalizam a experiência de uso conforme o contexto. “Nosso foco é em ‘rede por contexto’. Um centro de distribuição, por exemplo, pode identificar quem é o operador, o tipo de operação e responder de forma personalizada. Em universidades, conseguimos diferenciar alunos, professores e visitantes. A IA na borda vai potencializar essa personalização”, afirma.
Essa inteligência já aparece nas soluções da companhia, como no GreenLake Intelligence. Com ela, agentes de IA monitoram ambientes como storage para prever falhas e otimizar desempenho. “A transformação vem daí: usar IA para simplificar ambientes complexos.”
Emmerich comenta ainda sobre o processo de integração entre HPE e Juniper Networks, anunciado globalmente. “Ainda somos empresas distintas, mas já temos canais conjuntos com Aruba. A expectativa é de que a integração se consolide até o fim do ano fiscal.”
Enquanto isso, a conectividade continua no radar das empresas brasileiras. A HPE aposta em monitoramento granular da rede e suas ramificações para oferecer insights com apoio de IA. “A complexidade aumentou com a IA, mas estamos trabalhando para simplificar. Agora conseguimos medir não só finanças, mas também o impacto em carbono de cada operação. A sustentabilidade está se tornando parte dos business cases.”
O Brasil é hoje um dos quatro maiores mercados da HPE na região Laser (América Latina e Sul da Europa), com destaque para as soluções de Compute e crescimento acelerado do modelo GreenLake, que já apresenta dois dígitos de expansão.
Emmerich destaca ainda o papel dos parceiros globais e locais no ecossistema da HPE. “O canal nos ajuda a trazer experiências e acelerar a maturidade das empresas brasileiras”, finaliza.
*A jornalista viajou a convite da HPE
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