Quando Afranio Spolador Junior, diretor de Tecnologia e Inovação da EcoRodovias, decidiu trocar o caminho da medicina pela tecnologia, em 1994, a internet ainda engatinhava no Brasil. “Passei dois anos explicando para as pessoas por que tinha largado o sonho familiar da medicina para seguir carreira em TI”, relembra. A aposta arriscada se mostrou certeira. Desde os primeiros cursos de inteligência artificial (IA), ainda teóricos, até a realidade atual de projetos em escala, a paixão pela área só se intensificou.
Formado em tecnologia pela PUC Paraná, Afranio começou a empreender cedo, com uma pequena empresa de serviços de TI. O destino, no entanto, foi moldado por um encontro: durante uma pós-graduação, conheceu uma pessoa, que o levou ao grupo EcoRodovias. “Já são 23 anos”, comemora. A cada dois ou três anos, a empresa se reinventa, e com ela, o papel da tecnologia nos negócios, algo que motiva constantemente o executivo.
Spolador Junior sempre se conectou naturalmente com pessoas. Representante de classe no colégio, logo assumiu posições de liderança. Para ele, comandar equipes em tecnologia exige algo além da resiliência. “Resiliência é voltar ao mesmo lugar. O que precisamos é de adaptabilidade, porque o que funcionou ontem, hoje já não serve mais”, reflete.
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Esse olhar se traduz em um estilo de gestão baseado em autonomia responsável e senso de dono. “Dependo 100% do trabalho das pessoas da empresa. Aqui, qualquer um pode ajudar a construir o resultado. Isso funciona porque existe delegação real e cultura de pertencimento.”
Outro pilar é a valorização da diversidade geracional e de aprendizado. “Parei de insistir no ‘gap’ das pessoas. O importante é conhecer, complementar com o outro e fortalecer o que cada um tem de melhor.”
No setor rodoviário, desafios como conectividade e eficiência operacional são constantes. A EcoRodovias tem atacado esses pontos com projetos de impacto. Um deles foi a ampliação do sinal de internet móvel em rodovias, antes limitado a apenas 40% da malha. “Fomos atrás das teles, negociamos contratos e viabilizamos o roaming. Isso beneficiou socorro nas estradas, comunidades, postos de saúde e pequenos negócios às margens das estradas”, explica ele.
Outra iniciativa emblemática é o Free Flow, sistema de cobrança eletrônica que dispensa praças de pedágio. A EcoRodovias foi pioneira em implantar os primeiros pórticos do País, em São Paulo, e agora expande para outras rodovias. Até o final do ano serão quatro sob sua gestão. A tecnologia depende da conectividade e traz ganhos claros: menos filas, mais fluidez no tráfego e suporte à descarbonização.
Também em destaque está o projeto de pesagem em movimento (HS-WIM), que elimina paradas obrigatórias em balanças e garante eficiência no transporte. “Conseguimos aferir 100% dos veículos em movimento, com mais precisão”, diz.
A agenda digital da EcoRodovias inclui mais de 20 casos de uso em inteligência artificial. Entre eles, processamento de imagens para identificar incidentes em tempo real, análise preditiva para reduzir sinistros, e uso de IA em cibersegurança, aumentando a qualidade de código e reduzindo custos.
Um dos cases mais recentes envolve o uso do Databricks para consolidar dados de arrecadação, permitindo análises avançadas. “A tecnologia sozinha não resolve, mas viabiliza ferramentas e governança. Democratizar o uso de dados é o grande desafio, e o futuro está em trazer a shadow IT para o jogo, transformando o que antes era considerado rebeldia em inovação.”
Para o executivo, a transformação não é um projeto com início e fim, mas um movimento constante. “Estamos entrando em uma fase de consolidação. Cortamos o mato alto, migramos SAP, RH e agora preparamos a estrada para as grandes ideias surgirem”, explica.
A agenda ESG 20/30 do grupo guia cada iniciativa, com foco em descarbonização, segurança viária, inclusão digital e sustentabilidade do negócio. Os resultados já são palpáveis: mais de 1,2 mil km de rodovias cobertas com 4G, redução de até 20% nas emissões com projetos de Free Flow e pesagem em movimento, além de maior segurança para motoristas e comunidades.
Spolador Junior acredita que o papel da TI nas organizações está mudando radicalmente. “Tecnologia deixou de ser CPD, dona da verdade. As áreas que não se adaptarem serão engolidas pela própria organização. O valor vem da integração sistêmica: conectar sensores, sistemas, squads, pessoas e decisões.”
Com a ousadia de quem já apostava na TI antes de ela ser popular, Spolador Junior resume sua visão: “IA não substitui pessoas, orquestra talentos. O humano é curador da inteligência, não refém dela. Democratizar a tecnologia é um caminho sem volta. Estamos no início do fim da TI tradicional e no começo de uma TI distribuída e integrada aos negócios.”
Ao receber o prêmio de Executivo de TI do Ano 2025 na categoria Holding e Grupos Empresariais, Afranio reforça que a conquista não é individual. “É fruto de um time engajado e de uma empresa que ousou colocar a tecnologia no centro da estratégia. Transformar rodovias é transformar vidas, e é isso que me move todos os dias.”
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