Muito mais que uma tecnologia, as APIs hoje permitem repensar modelos e estratégias de negócio. Segundo uma pesquisa realizada pela Sensedia em parceria com a PwC em 2019, mais de 57% das grandes empresas usam as APIs para expandir a oferta de valor de produtos e serviços, fomentar a inovação e aumentar a quantidade de parceiros integrados. Esses dados reforçam a importância das APIs, não somente como uma questão tecnológica, mas como habilitadoras-chaves para novos negócios digitais e inovação.
Quando pensamos em negócios digitais e falamos de ecossistemas de parceiros, entrega rápida de novas experiências e multiplicidade de canais, devemos considerar que a integração desses elementos por meio de APIs é fundamental. Porém, se a experiência no consumo das APIs não for boa para os desenvolvedores que irão utilizá-las, por motivos como documentação e o onboarding complicados, falta de retorno do suporte, entre outros, esses devs poderão evitar usar essas APIs ou construir ferramentas próprias, o que irá atrasar as integrações e impactar de forma negativa os resultados das iniciativas digitais.
Hoje em dia, é muito comum ver no mercado empresas que são nativas digitais, ou seja, que nascem num ambiente muito tecnológico. Em paralelo, é possível observar empresas mais tradicionais tentando se posicionar como uma plataforma digital. Ambos os perfis de empresas querem que, cada vez mais, as interações com
os consumidores e com os parceiros sejam feitas num ecossistema digital.
Um exemplo bem comum são os marketplaces: o dono de uma loja tradicional quer vender seus produtos dentro de uma Americanas, Extra, Ponto Frio ou Netshoes, por exemplo. Esses canais digitais irão ofertar e vender o produto e o lojista será o responsável pela entrega. Existem alguns pilares que irão garantir a conexão dessa loja com o marketplace desejado e um deles é a facilidade na hora de se integrar a essa plataforma digital. É inviável plugar milhares de produtos de forma manual e por isso, a integração deve acontecer da forma mais facilitada possível.
Nesse caso, os marketplaces devem garantir que o lojista consiga plugar facilmente seus produtos ali, atualizar o estoque e o preço de forma eletrônica.
Neste ponto, entra em ação o Developer Experience (DX). A integração nessas plataformas digitais se dá pelo Developer, que irá tentar fazer onboarding e entender como é o processo de integração, lendo a documentação, utilizando exemplos de código e canais de suporte. Se a experiência do developer não boa e a dificuldade
de se integrar for muito grande, poderá optar por se integrar com um marketplace concorrente ou gastar muito tempo e esforço para superar essas dificuldades, tempo que poderia estar sendo utilizada para realizar vendas e outros projetos.
A velocidade com que é feita integração com uma API é um fator determinante para o negócio. Imagine uma loja que quer colocar 40 mil itens à venda em um marketplace: quanto mais rápido ela se conectar com esse marketplace, mais rápido ela vai começar a ofertar os produtos, vender e gerar valor para ambos os negócios.
Então, um dos pontos centrais do Developer Experience é o quão fácil e rápido o dev consegue usar com sucesso as APIs. Para ajudar nisso, há um conjunto de ferramentas e iniciativas que podem ser disponibilizadas para os developers.
Iniciativas específicas de engajamento e melhoria da experiência dos devs requer conhecimentos sobre melhores práticas para consumo das APIs, assim como pessoas dedicadas a atualizar documentação, monitorar e melhorar a experiência continuamente e responder dúvidas por diferentes canais de suporte.
A dificuldade das empresas em obter tração nos negócios digitais e alavancar o consumo das APIs pode ser reduzida com equipes de DX, especialistas que se dedicam a melhorar a experiência dos desenvolvedores que consomem APIs, aplicando melhores práticas, monitorando o comportamento, dando suporte e oferecendo insights para o cliente sobre como evoluir o engajamento dos devs.
O elemento principal para engajamento dos devs é o Developer Portal com um excelente UX, um site onde ele pode conferir a documentação e onde consegue testar sem grandes esforços as APIs. No site, é possível também verificar o fluxo de negócios a ser cumprido para poder fazer as integrações, as políticas de segurança que devem ser submetidas e também, baixar alguns aceleradores chamados de SDKs, componentes de software que aceleram o processo de desenvolvimento dessa integração.
O developer também encontra códigos que o ajudam a ter uma base para consumo da API que está disponível. Além disso, fóruns e canais de suporte podem ser usados, assim como API evangelists e specialists, pessoas reconhecidas em alguma comunidade explicando como a API funciona e pode ser usada.
O portal do desenvolvedor consegue auxiliar em muitos pontos da integração, mas, caso o usuário ainda precise de mais suporte, é fundamental que possa acionar outros canais disponíveis como
chat, e-mail, slack, whatsapp ou utilizar outro canal de atendimento.
O intuito dessas ferramentas é engajar o developer para que ele construa sua aplicação em cima daquela API da forma fácil possível, e assim poderem criar rapidamente suas soluções e levá-las ao mercado.
Muitas vezes, as equipes de TI desenvolvem as APIs, não colocam o foco e recursos necessários nas atividades de aperfeiçoamento da experiência de onboarding e de uso das APIs. Falta disponibilidade para manter a documentação atualizada e disponível, dar suporte para uma grande quantidade de usuários e colher métricas que gerem insights para atender aos feedbacks.
Mesmo no caso de APIs internas, quando são mal utilizadas ou proporcionam uma experiência ruim, há o desperdício de tempo e recursos, o que desgasta os developers que ficam tentando entender como elas podem ser utilizadas corretamente. As APIs que garantem um DX excelente evitam retrabalhos, geram produtividade e
aceleram o time-to-market das iniciativas digitais.
*Fábio Rosato é diretor de Soluções e líder da Equipe de DX na Sensedia
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