A Cisco pode
ter passado por momentos turbulentos nos últimos trimestres, mas a expectativa
de crescimento do CEO da empresa, John Chambers, segue inalterada.
O executivo
falou durante o Cisco Live, evento da companhia que acontece em San Francisco
nesta semana, para os mais de 25 mil clientes e parceiros da companhia.
Chambers afirmou que a empresa teve um crescimento muito bom, e aproveitou para
citar que as companhias rivais HP e IBM não tiveram alta consistente de suas
receitas nos últimos dois anos. “Nós vimos surpresas em mercados emergentes. Mas
observem como nós damos a volta por cima”.
Segundo o
empresário, grande parte do crescimento futuro da Cisco virá da internet de
todas as coisas (IoE, na sigla em inglês), uma rede crescente de objetos
cotidianos conectados, como carros, geladeiras, etc. A Cisco classificou a IoE
como a “quarta fase da internet”, depois de conectividade, a explosão do
e-commerce e, finalmente, quando das mídias sociais, mobilidade e a nuvem
emergiram.
No último ano,
a companhia bate na tecla que a IoE é uma oportunidade relevante tanto para ela
mesma quanto para seus parceiros e clientes. Durante a apresentação desta
semana, a empresa voltou a reiterar que a iniciativa é uma oportunidade capaz
de movimentar US$ 19 trilhões, unindo os setores público e privado.
A Cisco Live
acontece dias após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, que
apontam uma queda na receita pelo terceiro período consecutivo. Durante a
conferência com analistas para discutir os números, Chambers mais uma vez justificou
a queda nos indicadores colocando a culpa na desaceleração dos negócios nas
unidades de provedores de serviços e nos mercados emergentes.
Segundo
Chambers, o que coloca a Cisco em um patamar diferente de suas empresas
competidoras em termos de crescimento de longo prazo é que a oportunidade dos
clientes de faturarem esses US$ 19 trilhões estimados pela companhia não podem
ser alcançada sem a tecnologia Cisco. “O conceito básico é: quanto mais você
avança na IoE, você precisa pegar a informação certa, no momento certo, para o
dispositivo certo, fazendo que com chegue até a pessoa certa para que ela
possa tomar a decisão correta”. Ainda de acordo com o CEO, a ideia parece
simples, mas é extremamente difícil de acontecer e quase impossível sem as
arquiteturas de rede e tecnologias da Cisco.
Além da
Application Centric Infrastructre da Cisco, uma arquitetura de rede definida
por software (SDN) que impulsiona o mix de hardware e software da fabricante, Chambers
defende que a visão da companhia de ‘computação em neblina’, ou uma plataforma
para levar capacidades computacionais a dispositivos na ponta da rede, vai
ajudar a emergir a Cisco como a líder em IoT.
O CEO ainda argumentou
que a empresa possui um próspero histórico em momentos de transição de mercado,
como as chamadas de voz e vídeo por IP. “Anos atrás, havia uma conversa de que
a Huawei, a Avaya e a Juniper iriam roubar nosso mercado. Ninguém rouba o nosso
mercado. Nós podemos prosperar todos juntos”, define Chambers.
A Cisco não
está sozinha em seu posicionamento sobre a IoE. Em março, o Gartner afirmou que
o conceito tem potencial para transformar o mercado de data center, provedores
de tecnologia, modelos de marketing e vendas, além de seus clientes. Segundo
estimativas da consultoria, até 2020 haverá 26 bilhões de unidades relacionadas
à internet das coisas instaladas, com produtos e provedores de serviços gerando
uma receita adicional que excede os US$ 300 bilhões.
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