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New England Patriots investe em wireless e melhora experiência do torcedor

Que tal dar suporte ao acesso à internet para quase 69 mil pessoas? Melhor ainda, que tal lidar com 11 mil pessoas, simultaneamente, assistindo em alta definição (HD) ao replay de uma jogada, compartilhando dados nas mídias sociais? Esses desafios, impensáveis para a maior parte das companhias, foram superados pelo Gillette Stadium, casa do time de futebol americano New England Patriots.

Para entender melhor todo o enredo, se faz necessário olhar um pouco para traz, onde a situação era a seguinte: sendo esta uma arena nova (inaugurada em 2002), o estádio notou que, durante os jogos, o número de reclamações quanto à disponibilidade de rede para acessar as mídias sociais ? e até mesmo fazer ligações ? era alto, com diversos relatos de torcedores reclamando. Obviamente, o sinal emitido pelas operadoras desses torcedores estava colidindo e a alta demanda para um mesmo local não ajudava muito, mas o problema é que o nome do estádio (e do time) acabava por ficar associado às reclamações. Vale ressaltar que o Gillette Stadium não contava com uma solução para otimizar o acesso à internet.

Daniel Dulac, vice-presidente de soluções e serviços da Enterasys, observa que essa situação não é apenas encontrada no estádio do New England Patriots, mas em todos os locais com alta concentração de pessoas com demanda por dados e voz. O executivo ressalta que esse é um fenômeno global, uma vez que o usuário começa a onerar as redes com múltiplos dispositivos. ?A diferença é que na arena, do dia para a noite, o número de pessoas salta de 100 para 60 mil, e ninguém poderia, mesmo há 10 anos, quando o estádio foi inaugurado, contar com um sistema capaz de dar suporte a esses fãs, que, por vezes, vão com mais de um equipamento para o jogo?, analisa.

Outro ponto é que, no entendimento de Dulac, o fã que paga para ir ao estádio espera, no mínimo, contar com internet gratuita e de alta velocidade, para poder compartilhar com os amigos na rede todos os fatos antes, durante e depois de cada partida.

O desenvolvimento da solução

Para atender à essa demanda, a Enterasys Networks desenvolveu antenas externas que fossem estéticas,em conformidade com o desenho e cores do estádio, e que, ao mesmo tempo, conseguissem atingir o objetivo de dar acesso aos torcedores. Feito isso, numa forma de concentrar o tráfego para obter melhor resposta do data center do New England Patriots, também foram colocados switches internos que viabilizassem a transmissão das informações. Ou seja, a internet ?entra? pelo data center, em dois links de 1Gb, e é enviada para os switches, que transmitem sinal e também os repassa para as antenas. Hoje o sistema conta com cerca de 300 switches e 300 antenas.

A fabricante também adicionou ao projeto o OneFabric, solução que faz o gerenciamento centralizado da rede e permite algo essencial para quem lida com clientes em escala: controle de identidade e acesso, assim, é possível saber quem é cada usuário.

A rede do estádio foi desenhada para permitir que até 40% dos fãs consigam enviar vídeos simultaneamente. Como explica Dulac, cada usuário onera de uma forma a rede, mas foram feitos testes com a casa cheia, sendo disponibilizado para o heavy user até 750Kbs para download e upload de imagens e vídeos.

O processo de disponibilização

Com todas as antenas e receptores posicionados no estádio, a internet é disponibilizada para os torcedores por sessão do estádio, com todos os dados trafegando pelo data center do New England Patriots. Devido ao desenho da solução, nenhum setor da arena é atrapalhado pelo outro, quanto às ondas wireless, e durante uma eventual movimentação do torcedor para comprar algo na lanchonete, por exemplo, o sistema é capaz de gerar autenticações novas, rapidamente, para que não haja a interrupção da experiência conectada.

Os pontos de acesso da família Enterasys AP 3000 operam tanto na frequência 2,4 GHz quanto na 5 GHz, dando suporte a cerca de 200 torcedores por equipamento. ?É importante ressaltar que, por exemplo, o primeiro iPhone que usa a frequência de 5GHz é o modelo 5, então, nós temos que dar suporte a todo o montante de pessoas que contam com o 4 e 4S?, explica Dulac, que esteve intimamente ligado ao projeto. ?Dessa forma, quando essa massa de torcedores trocarem seu dispositivo pela nova versão, eles continuarão a ter acesso à rede do estádio ? de graça.?

Além do wireless: o uso dos dados

Uma vez que todos os dados necessariamente passam pelo sistema interno do Gillette Stadium, a ideia principal é poder usar toda essa informação para criar uma oportunidade em forma de campanhas publicitárias ou análise do comportamento do torcedor, criando personalizações para os mais recorrentes. Com isso, o Kraft Group, empresa dona do time, consegue ter mais conhecimento de seus clientes, podendo direcionar novas ações no futuro. ?Conectar os fãs mostra uma oportunidade de negócios?, afirma Fred Kirsch, vice-presidente de conteúdo e publisher do New England Patriots.

Otimizando o uso de aplicações

O sistema de conectividade do estádio suporta qualquer tipo de dispositivo, de tablets a smartphones, passando por câmeras que se conectam à rede sem fio. Porém, a experiência do torcedor que conta com equipamentos com iOS e Android é ainda maior, já que ele conta com aplicativo do New England Patriots que, entre outras coisas, consegue alertar o torcedor que está parado na fila do banheiro que um outro está sem ou com menor fila. É nele, também, que se pode ver o replay de um lance, direto da arquibancada.

?Uma vez que temos todo o sistema wireless funcionando, podemos, também, ampliar a experiência do torcedor que vem ao estádio por meio de promoções via aplicativos ou o auxiliando a lidar melhor com a disposição dos restaurantes e lojas de todo o complexo?, ressalta Kirsch. ?Não se trata mais apenas de assistir ao jogo. Num mundo conectado, o jogo se estende para o dispositivo do torcedor e nós temos que dar suporte a ele nisto também. Faz parte do espetáculo.?

*O jornalista viajou a Boston a convite da Enterasys

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