Negócios

Como o Uber apostou na nuvem para alcançar seu primeiro lucro operacional da história

No início de agosto, a Uber divulgou o primeiro lucro operacional da sua história. No segundo trimestre fiscal de 2023, a companhia registrou uma receita líquida de US$ 394 milhões – um crescimento de US$ 1 bilhão quando comparada ao mesmo período do ano passado, e um de US$ 588 milhões em relação ao trimestre anterior.

Na divulgação dos resultados, Dara Khosrowshahi, CEO da companhia, atribuiu o resultado positivo ao aumento de 22% no número de viagens registradas através de todas as modalidades da plataforma. Hoje, a plataforma da Uber completa cerca de 2 bilhões de viagens por trimestre.

Combinado a isso, a organização também começou a apostar em novos serviços – como um serviço de ônibus no Egito e a modalidade de “duas rodas” no Brasil – adotou uma estratégia de “disciplina de custo”. As duas estratégias, segundo Khosrowshahi, têm a tecnologia como pilar essencial.

“As palavras ‘Uber’ e ‘lucro operacional,’ historicamente, não combinavam muito – mas elas irão no futuro”, disse Khosrowshahi nesta terça-feira (19) durante uma conversa com Safra Catz, CEO da Oracle, na abertura do Oracle CloudWorld. “As demandas do mercado agora estão diferentes e, para nós, equilibrar o crescimento com a lucratividade é uma habilidade que temos aprendido enquanto uma empresa.”

A nuvem está no centro do crescimento da Uber. Para o lançamento de novos produtos, por exemplo, a estrutura em nuvem garante “escalabilidade” dos serviços lançados – muitos dos quais atingem um nível de uso que vai além do serviço tradicional de carona da Uber.

Um dos exemplos disso está no Brasil. De acordo com Khosrowshahi, a modalidade de viagens de “duas rodas” no Brasil, lançada em maio de 2021, sozinha representaria o sexto maior país em volume total de corridas para a companhia.

“Com alguns desses novos produtos, é impossível prever a velocidade com que eles vão escalar e crescer. Então, modernizar nosso back-end e ecossistema com Oracle Cloud, por exemplo, nos permitiu ter a habilidade de escalar nossos produtos de uma forma que não poderíamos antes. Tudo sem ter que passar pelo processo de projeção de crescimento”, explicou.

A Uber anunciou em fevereiro deste ano que migraria cargas de trabalho críticas para nuvem da Oracle. O movimento continuará se expandindo no futuro. Segundo Khosrowshahi, entre este ano e o próximo 100% do crescimento da companhia em capacidade computacional entre este ano e o ano que vem deve acontecer na nuvem. “Isso nos permite escalar da forma certa, mantendo a previsibilidade.”

Multa no Brasil

Apesar dos resultados positivos globais, a Uber tem enfrentado desafios regulatórios no Brasil. Na última quinta-feira (14), o juiz Maurício Pereira Simões, da 4ª Vara do Trabalho de São Paulo, condenou a Uber do Brasil a pagar uma multa de R$ 1 bilhão. A decisão determina que a empresa registre entre 500 mil e 774 mil profissionais prestadores de serviços pela plataforma em regime CLT.

A contratação deverá acontecer em até seis meses após o trânsito em julgado da ação. Em nota, a Uber afirmou que a decisão é “isolada” e que vai contra o entendimento de outras decisões anteriores, como o julgamento do Tribunal Regional de São Paulo, em 2017. “A Uber esclarece que vai recorrer da decisão proferida pela 4ª Vara do Trabalho de São Paulo e não vai adotar nenhuma das medidas elencadas na sentença antes que todos os recursos cabíveis sejam esgotados”, disse a empresa.

*O repórter está em Las Vegas a convite da Oracle.

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