Negócios

2020 aumentou pagamentos contactless e bancarização, aponta Mastercard

Estamos felizes com o balanço de 2020, considerando tudo o que aconteceu”. A frase, pronunciada por Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard para o Brasil e Cone Sul, resume o balanço da empresa ao longo deste ano. Em evento para jornalistas realizado na última terça-feira (8), a marca apresentou dados sobre o comportamento brasileiro e também um panorama do mercado para o próximo ano. 

Em meio à pandemia da Covid-19, que fez com que as pessoas evitassem contato físico e passassem mais tempo em casa, a companhia observou um crescimento expressivo nas compras feitas em e-commerce: segundo pesquisa própria, 46% dos brasileiros aumentaram o volume de compras online durante a pandemia, enquanto 7% compraram online pela primeira vez. 

Outra consequência causada pelo vírus foi o crescimento de acesso aos serviços financeiros pela população até então desbancarizada: de acordo com pesquisa da empresa, o número de brasileiros sem conta em banco caiu 73% durante a pandemia.  

Sem contato

Outro hábito de compra que também cresceu de forma significativa foi o de pagamentos por aproximação (NFC). De acordo com dados internos da Mastercard, foram realizadas 270 milhões de transações do tipo entre janeiro e novembro deste ano, um crescimento de 197% no comparativo entre o começo do ano e o último mês. 

De acordo com estimativas da empresa, já foram emitidos cerca de 50 milhões de cartões com funcionalidade NFC.  De acordo com Paro Neto, a média mundial é de que três quartos das transações que envolvam essa tecnologia são realizadas via cartão e o restante por meio de dispositivos como celular e pulseiras. “No Brasil, [a participação] é um pouco maior no device, pois o cartão está em processo de massificação”, afirma. 

A companhia apresentou outros dados sobre o perfil de quem realiza pagamentos por aproximação: o ticket médio (média de compras feitas) está em R$ 47,60, sendo que 86% dos pagamentos sem contato são feitos por cartão e os 14% restantes via carteiras digitais e dispositivos como relógios e pulseiras. 

São Paulo é a cidade que mais realiza pagamento por aproximação no Brasil, realizando mais de 8 milhões de transações em novembro, seguida por Brasília (2,6 milhões) e Rio de Janeiro (1,9 milhão). Supermercados, fast food e postos de combustível são os locais em que os consumidores mais realizam esse tipo de ação. 

Previsões, pagamentos e planos

A Mastercard acredita que o setor de meios de pagamento brasileiro deve encerrar 2020 com crescimento entre 11% e 12%, sendo que esse percentual deve subir para 16% ou 18% no próximo ano.  

Esse percentual é puxado, em parte, pelo aumento da participação do uso de cartões de crédito pelas famílias brasileiras: a companhia estima que a representatividade dos meios de pagamento eletrônicos no consumo das famílias deve fechar esse ano em torno de 49% / 50%, percentual maior do que os 45% registrados em 2019. 

Durante o encontro com a imprensa, Pedro Paro Neto também falou sobre a possibilidade de lançamento do WhatsApp Pay, função que permitiria transacionar valores pelo aplicativo de mensagens e que foi bloqueada pelo Banco Central em junho, com o objetivo de averiguar potenciais perigos para o usuário, bem como avaliação de concorrência. 

Apesar de não apresentar um calendário definitivo para o relançamento do recurso, o executivo afirmou que as conversas com o Banco Central se dirigem para uma resolução no curto prazo. “Se eu tivesse que apostar [sobra a liberação do WhatsApp Pay], seria no primeiro trimestre”, avalia. 

Falando sobre os planos da própria Mastercard, Paro Neto afirmou que a companhia está com foco em investimentos e aquisições que reforcem sua estratégia multirail (que abrange diversos meios de pagamento), e que também avalia negociações com marcas que possam agregar valor à empresa dentro do setor de experiência do consumidor. Estamos observando todas as oportunidades”.

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