Em outubro do ano passado, o consultor emérito da consultoria Gartner, Donald Feinberg, previu possíveis negociações entre a HP e a Microsoft, no sentido de uma fusão ou uma compra entre as duas empresas. O argumento principal era de que “faltava software à HP e hardware à Microsoft”.
A parceria HP-Microsoft anunciada na quarta-feira (13/1) mostra que a avaliação de Feinberg naquela época fazia sentido. “Não há dúvidas que trata-se de uma joint venture, já que haverá
treinamento cruzado de equipes e integração profunda de hardware e
software das duas empresas. O investimento de 250 milhões de dólares é
alto”, analisa.
O acordo não é classificado como “joint-venture” nem por HP e
tampouco por Microsoft, que apresentam o assunto ao mercado como uma
parceria. Para Feinberg, é impossível garantir que o negócio vai levar
a uma aproximação maior das duas companhias, no sentido de fusão ou
aquisição. Mas, para o analista, se a ideia for caminhar
neste sentido, a parceria é “um primeiro passo excelente”.
Feinberg enumera outras movimentações de mercado que comprovam, segundo ele, a tendência ao estabelecimento de grupos, ou parcerias, para a oferta de soluções integradas e únicas ao cliente. Entre elas, estão a compra da Sun pela Oracle, a movimentação da Cisco rumo ao mercado de hardware e a formação da joint venture Acadia, que une EMC, VMWare e Cisco para soluções de cloud computing.
Com o movimento dos fornecedores, quem pode ganhar é o cliente. As empresas passam a ter uma série de soluções integradas e muitas opções de escolha, avalia o especialista. Além disso, o movimento pode acelerar a adoção de nuvens privadas pelo mercado corporativo. “O grande trabalho de integração para juntar todas as peças que compõem a nuvem é a razão pela qual a nuvem ainda não ganhou o mercado. As ofertas integradas se mostrarão muito mais atrativas em relação ao que existe hoje”, completa.
Com as novas ofertas, no entanto, ficará mais difícil convencer as
grandes companhias a adotarem nuvens públicas. “Elas contarão com
ofertas prontas, com uma profunda integração entre servidores de
e-mail, softwares de colaboração, suítes de aplicativos e hardware. A
penetração no mercado corporativo fica mais difícil para a Google”,
avalia.
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