A Microsoft finalmente confirmou nesta semana que está trabalhando no Windows Blue. Uma atualização do Windows 8, o Windows Blue tem sido, antes das observações da Microsoft, um dos segredos mais mal guardados da indústria de tecnologia. Além de gerar muitas controversas, as melhorias aparentemente limitadas da moderna interface de usuário do sistema operacional com orientação pelo toque, a nova versão tem levado alguns a prever a morte da interface clássica do desktop do Windows.
A Microsoft não comentou sobre tal especulação, mas agora com Blue já confirmado e com vários lançamentos de alto perfil e alguns eventos no horizonte, a gigante de software não será capaz de permanecer calada por muito mais tempo.
A confirmação do Windows Blue veio através de um post no blog de Frank X. Shaw, vice-presidente de comunicações corporativas da Microsoft. “Com uma base notável de produtos no mercado e uma visão clara de como a empresa vai evoluir, os líderes de produtos da Microsoft estão trabalhando juntos em planos para avançar nossos dispositivos e serviços – um conjunto de planos chamado internamente de ‘Blue'”, escreveu ele.
Embora Shaw tenha enfatizado que os líderes empresa estão alinhados em torno de objetivos definidos, muitos terão como desafio o que a empresa projetou como “visão clara” para terceiros. Devido ao efeito decepcionante do Windows 8 no mercado de PC e à posição tênue da Microsoft no crescente mercado de tablets, muitos têm discutido o que o Windows Blue deve oferecer. As observações de Shaw chegaram poucos dias depois de uma recente configuração de atualização que vazou na rede.
A construção não confirmada não só incide sobre o direcionamento de melhorias voltado para tablets, mas também realoca um número de controles do sistema do lado do desktop para o lado do novo e moderno sistema baseado em blocos dinâmicos (os live tiles). Os ajustes têm sido amplamente interpretados como um esforço para afastar os usuários que estão fora dos sistemas tradicionais, e para tornar a interface do usuário moderno um ambiente autossuficiente. Ainda é possível que melhorias de desktop sejam implementadas, mas as ações da Microsoft sugerem mais fortemente que o Windows Blue anuncie o início do fim da interface clássica de usuário.
O post de Shaw não resolve muito este debate. Além de afirmar que o Windows Blue é um título interno e que a versão da atualização seria chamada de outra coisa, ele não acrescentou muito sobre informações concretas. No entanto, sugeriu que a Microsoft irá compartilhar detalhes adicionais do Windows Blue durante duas conferências em junho: TechEd, que ocorre de 3 a 6 junho, em Nova Orleans, e o BUILD 2013, programado para 26 a 28 de junho, em São Francisco.
O BUILD 2013 também foi anunciado na terça-feira. O VP da Microsoft Guggenheimer Steve escreveu em um blog que a empresa vai “compartilhar atualizações sobre o que vem por aí para o Windows, Windows Server, Windows Azure, Visual Studio e muito mais. “O registro começa em 2 de abril, e Guggenheimer sugeriu que a preferência crescente dos usuários de tela multiexperiências será um tópico.
As conferências são importantes porque a Microsoft precisa de suporte de desenvolvedores para avançar sua agenda. Recentemente, a companhia tem concentrado esforços nesta frente, atualizando seus aplicativos centrais do Windows 8 e oferecendo incentivos para os desenvolvedores. O catálogo Windows 8 de aplicativos, no entanto, ainda é pequeno em relação aos concorrentes líderes em tablet.
A compatibilidade com x86 aplicativos continua sendo um dos diferenciais de venda exclusivos do Windows 8, mas a maioria dos consumidores ainda não estão interessados o suficiente neste recurso para comprar novas máquinas. Além disso, com o compromisso evidente da Microsoft para com a interface moderna, o legado de compatibilidade é apenas uma parte da equação. Os blocos dinâmicos (live tiles) vieram para ficar, e a Microsoft vem dizendo para os clientes se acostumarem com a ideia. Do ponto de vista da organização, forçar os usuários a migrarem a tela inicial moderna não é uma falha de design; seria uma segurança se os usuários se familiarizassem com ela, mesmo preferindo passar a maior parte do tempo na interface desktop tradicional. O Windows Blue parece dar continuidade a essa abordagem.
Este armamento só vai funcionar, porém, se os aplicativos modernos oferecerem uma experiência que não só compete com ofertas iOS e Android, mas que também satisfaça as necessidades de usuários de longa data do PC. As conferências de junho representam uma oportunidade para a Microsoft incentivar a adesão do desenvolvedor e agenciar o novo hardware baseado em chips da Intel Haswell, que são esperados para favorecer as capacidades touch do Windows 8 Ultrabooks com uma vida de bateria igual a dos tablets.
Para ter sucesso, a Microsoft terá que tratar abertamente essas questões e preocupações, além de se exibir seus mais recentes produtos. Se os desenvolvedores e parceiros estão descrentes de que a área de trabalho poderia seguir o caminho de uma interface de linha de comando, junho será a sua chance pressionar a Microsoft para obter respostas.
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