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Metamorfose ambulante

O que você vai transformar hoje? Frequentemente tenho me deparado com o tema “transformação”. Seja a transformação dos negócios, seja da TI, a digital, a pessoal e a da própria sociedade. Desde o ano passado, importantes eventos da área de TI têm adotado esse tema como central. É o caso do CIAB, que discute, em 2016, o tema “Cultura Digital Transformando a Sociedade”. E também da Futurecom, que falará, em outubro, sobre “Transformação Digital por trás da Inovação”.

Recentemente, em palestra para profissionais de marketing da área de tecnologia, um analista da IDC demonstrou como as mudanças nas áreas de TI e Digital afetam a maneira das empresas fazerem negócios e se relacionarem. Seja como consumidor, na experiência de compra ou em qualquer outra interação, seja como colaborador, impulsionando a produtividade e rompendo as barreiras do “onde”, “como” e “quando” executar suas tarefas.

Quer dizer que estávamos todos hibernando e subitamente acordamos para a necessidade de transformação? É claro que não. A transformação faz parte das nossas vidas, da evolução do planeta, do avanço das tecnologias e do desenvolvimento da sociedade. Temos muitos exemplos de transformações que estão no nosso cotidiano. Mas ela está mais acelerada, implacável e demanda muito mais porque quem não se transformar, pode fracassar ou desaparecer.

Tendo como alicerce a chamada “Terceira Plataforma”, a transformação digital tem como pilares a nuvem, o Big Data/Analytics, as mídias sociais e a mobilidade. Ela pode ser uma estratégia de sobrevivência tipo “Me Too” – já que os concorrentes estão investindo em canais digitais – ou experiências aos clientes. Pode ser também um meio de executar uma transformação dos negócios. Um exemplo disso é o aplicativo UBER, que já nasceu em berço digital, totalmente galgado na mobilidade. Sem ter um único carro, transformou-se na maior frota de transporte do mundo. A disruptura foi tamanha que o Uber tornou-se sinônimo de inovação a ponto do termo “uberização” representar, em algumas discussões, a economia colaborativa com base na mobilidade.

A tecnologia e o crescimento acelerado do uso de smartphones permitiram que o aplicativo rapidamente ganhasse espaço por oferecer um serviço prático, seguro e barato. Os taxistas podem protestar, mas não podem impedir a inovação. Podem sim se transformar e se modernizar, como algumas empresas de taxi já fizeram, com a adoção de aplicativos semelhantes que facilitam também a vida do cliente.

Empresas que nasceram totalmente baseadas na experiência digital estão um passo à frente. Todas as outras também podem e têm ferramentas para se adaptar. Trata-se de um círculo virtuoso: a inovação e transformação digital exigem a inovação dos canais, que por sua vez exigem a transformação e melhor uso da informação para gerar valor. Isso impulsiona a mudança dos modelos de negócios e exige a transformação da força de trabalho e das lideranças. Está tudo interligado. Não dá para transformar por partes. E isso é um caminho sem volta.

Sendo assim, a nossa transformação como profissionais não é opcional. É uma questão de sobrevivência em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente. A evolução dos dispositivos e dos aplicativos tirou a bola de ferro dos nossos pés. Além de trazer uma produtividade sem precedentes, ela traz uma liberdade surpreendente. Mas será que a nossa cultura se transformou no mesmo passo que as tecnologias? Ainda tem gerente que olha no relógio de pulso (que, aliás, tornou-se supérfluo – o smartphone como uma tecnologia disruptiva já ameaça a indústria de relógios) para ver que horas os membros da equipe chegam ao escritório, quando na verdade, eles nem precisariam ir. Qualquer um pode responder aos emails pelo notebook, tablet, celular ou participar de reuniões por telefone, chat, webcast ou vídeo conferência. Pode-se fazer tudo o que se faria no escritório em casa, num café ou num parque ao ar livre. As mães podem ficar mais perto dos seus filhos. Os pets vão ficar menos depressivos por se sentirem abandonados durante o dia no apartamento vazio, você vai se irritar menos no trânsito, e as empresas vão reduzir custos de infraestrutura para acomodar todos os colaboradores nos escritórios.

Mas você está pronto para essa transformação? Ela requer disciplina. Home office não é Day off. Mas também não quer dizer que você deva acordar, ligar o notebook, andar de pijamas e passar as próximas 12 horas trabalhando, mal tendo tempo para o “bio break”. Também não quer dizer que você nunca mais precise ir à empresa, ao ponto das pessoas já não se lembrarem de você. Networking e relações interpessoais continuam sendo saudáveis e importantes. Com equilíbrio, todos ganham.

E como gestor? Você está pronto para comandar uma equipe invisível? É capaz de avaliar eficiência pelos resultados e não por tarefas tradicionalmente distribuídas e executadas sob os seus olhares? Com ajuda da tecnologia, é possível gerenciar de forma mais eficiente a equipe sem as limitações geográficas, valorizando o que cada um tem de melhor e tornando possível a colaboração entre todos.

As paredes ruíram. E isso amplia o horizonte. Nossa cultura latina valoriza a interação presencial e isso não vai desaparecer de uma hora para outra. Mas temos diversas outras formas de ampliar e enriquecer nossas experiências, seja como profissionais, como clientes ou como pessoas. Assim, quando chegar a hora da conversa pessoal, a experiência pode ser muito mais produtiva e prazerosa.

Apesar de eu estar na mesma empresa há quase 16 anos, a transformação é uma constante por aqui. O que eu faço hoje é completamente diferente de quando ingressei na companhia. A começar que naquela época eram apenas duas famílias de produtos e agora são dezenas. O leque de ferramentas e canais de marketing era bem limitado.

Escrevi esse texto me perguntando o quanto eu me transformei nesse período, como profissional e como pessoa. Acredito que muito. E ainda quero me transformar muito mais para não ser pega de surpresa pela próxima onda de transformações. Afinal, prefiro ser e fazer parte dessa metamorfose ambulante.


*Cristina Blanco é diretora de marketing da EMC Brasil

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