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Mastertech vai ao presídio e ensina programação a detentas de SP

Nesta segunda-feira (03/09), 25 reeducandas do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) Feminino “Dra. Marina Marigo Cardoso de Oliveira”, do Butantan (São Paulo), ganharam uma nova chance, “um upgrade de vida”, graças à tecnologia. Elas integram a primeira turma de detentas capacitadas em tecnologia e formadas no curso de introdução à programação da startup Mastertech.

“Essas mulheres agora terão novas condições de cuidar de seus filhos e suas famílias, saindo de uma situação de ganhar centavos por hora de trabalho para a oportunidade de ganhar R$ 120/hora com programação quando saírem”, comemora Camila Achutti, 26 anos, co-fundadora da Mastertech e mentora da parceria da startup com a Secretaria da Administração Penitenciária e a Assessoria Especial de Relações Internacionais de São Paulo.

Camila não só montou a parceria como também elaborou um jeito de levar um dos cursos mais populares da Mastertech, que capacita pessoas a programar apps e sites em uma semana, para dentro da instituição penal e foi ela mesma lá para garantir. “Como elas não podiam ter acesso à internet por serem detentas, a primeira reação da equipe foi ‘não dá para fazer'”, diz Camila. Mas ela agitou a Mastertech para dar um jeito de fazer acontecer e o curso foi reelaborado para funcionar sem internet.

O resultado foi que em menos de uma semana as 25 detentas entenderam como funciona a linguagem de desenvolvimento de programas e a lógica existente nos bastidores da criação de um site. Foram abordados Design Thinking, Metodologia Ágil e introdução à programação. Nesta segunda, as alunas tiveram sua formatura, apresentando sites desenvolvidos a partir dos conhecimentos adquiridos durante a semana – uma landing page utilizando html e css através do framework Bootstrap.

Quando receberem a liberdade, possivelmente em breve, por conta de já estarem em regime semiaberto, sairão com o diploma, o conhecimento e a oportunidade de colocar suas ideias em prática. O estímulo ao empreendedorismo é um dos objetivos do projeto, que deve ter continuidade com mais turmas este ano e no ano que vem, visando oferecer uma alternativa de reintegração social, para que elas não cometam novos delitos.

A missão da Mastertech, criada em 2016 pelos sócios Camila Achutti e Felipe Barreiros, é ensinar programação e garantir que mais pessoas possam trabalhar no mundo digital. É, nas palavras de ambos, “transformar pessoas, capacitando-as, todos os dias, da melhor maneira possível”. Para Camila, CTO da empresa, Mestre em Ciência da Computação pela USP, a missão obrigatoriamente passa pela inclusão das mulheres nesse cenário, mesmo as que não podem momentaneamente chegar até a escola. Aí ela dá um jeito e vai lá.

* Silvia Bassi é jornalista, especializada em tecnologia, e publisher at large da íon 89

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