A Microsoft afirmou, na última semana, que uma versão beta do Windows 8 será lançada em fevereiro de 2012 e deu detalhes sobre a Windows 8 Store, um mecanismo dentro da plataforma pelo qual a empresa vende e distribui os apps ?Metro?.
A plataforma é a próxima versão do sistema operacional da empresa para computadores pessoais, laptops e tablets. Chega com grandes mudanças, como loja de software integrada ? similar ao conceito do Mac App Store, da Apple ? e suporte para chips ARM. Metro é o nome na nova interface de usuário que utiliza o toque.
Com a novidade, ela segue o caminho da Apple, que conduz para longe da liberdade e da conveniência e vida uma segurança ostensiva. ?Observamos o futuro do PC e ele se parece muito como um smartphone?, afirmou Al Hilwa, diretor de programas de desenvolvimento de software de aplicativos da IDC.
Hilwa dá crédito à Microsoft por ter aprendido com seus competidores, dando ênfase para seu modelo de compartilhamento de receita e sua preocupação com recursos como os apps sideloading e suporte para ferramentas de gestão. Porém, ele critica as restrições impostas pelas companhias que detém a tecnologia de PC touch.
?Lamento que seja um ambiente muito mais controlado, mas foi a experiência com os smartphones que nos preparou para isso. Se o novo modelo nos leva a aplicativos mais seguros e de melhor qualidade não podemos criticar, porque vimos lojas mal reguladas, como a do Android que teve os mesmos problemas de qualidade e segurança dos modelos existentes para o PC?.
Ao mesmo tempo, ele vê a empresa com regras menos rígidas do que as da Apple para aceitar aplicativos em sua loja.
?Quanto ao processo de aprovação, a Microsof trilha um caminho que fornece mais abertura, velocidade e previsibilidade do que a Apple, além de mais controle e supervisão do que o Google. Resta saber se a execução será fiel à promessa. Mas a fórmula está correta?.
Realmente, a Microsoft criou uma plataforma muito mais atraente do que a de seus competidores, pelo menos no papel.
Veja porquê:
Royalties: a porcentagem de compartilhamento proposta pela companhia é de 30%, a mesma que a do iTunes App Store, do Mac App Store, da App Store da Amazon e do Android Market. Mas assim que um aplicativo atinge a receita de US$ 25 mil, ela baixa sua parcela para 20%. Esse esquema de receita irá contemplar apenas os desenvolvedores de sucesso do Windows 8. Entretanto, a porcentagem de desenvolvedores gerando mais de US$ 25 mil com seus aplicativos ? graças aos clientes corporativos que pagam mais por seus apps ? presumivelmente será maior do que as dos desenvolvedores do iOS. Cerca de 75% dos desenvolvedores iOS ganharam menos do que US$ 25 mil com receita, segundo uma pesquisa de desenvolvedores de jogos. Entretanto, o melhor acordo de compartilhamento de receita continua com o Chrome Web Store. O Google cobra apenas 5% pela venda de apps de rede por meio de sua loja online.
Taxa: para aqueles que desejam criar apps Metro, a Microsoft cobra para pessoa física a taxa de US$ 49 ao ano e para as empresas US$ 99 ao ano. Esse valor é melhor do que a cobrança da Apple de US$ 99, tanto para empresas quando para pessoas físicas, para se tornarem membros do iOS Developer Program e do programa Mac Developer. Para empresas que queiram criar apps proprietários, a Apple cobra US$ 299 ao ano. A taxa para o desenvolvedor da App Store da Amazon também é de US$ 99 ao ano. O Android Market, do Google, é o mais barato: cobra uma taxa única de US$ 25. Deve-se ressaltar que o Google filtra seus apps.
Alcance: essa vantagem ainda é uma teoria. A empresa alega ter 1,25 bilhões de usuários Windows ao redor do mundo, alguns deles devem realizar a atualização para o Windows 8. Se o Windows possui 92% do mercado de sistema operacional de PCs, então a Apple, com cerca de 6% da parcela global com seu Mac OS, tem uma base de 80 milhões de Macs. Já para os dispositivos móveis, no final do terceiro trimestre, o Google afirmou que o total de ativações Android passou os 190 milhões. A base instalada do iOS deve chegar a cerca de 250 milhões até o final de 2011. Certamente, o mercado iOS é mais atrativo para o desenvolvedor do que o mercado não existente do Windows 8. Mas vale à pena pensar no amanhã, particularmente se os usuários da plataforma de Redmond pagarem mais por apps do que, digamos, os usuários do Android.
Liberdade: a Apple, de acordo com o Software Freedom Law Center, usa seu controle sobre o iOS e o Mac OS para ?excluir os competidores, silenciar os críticos e censurar o conteúdo?. A Microsoft pode ter feito o mesmo no passado, mas sua posição tanto no mercado de tablets quando de smartphones mostra um esforço evidente em ter as regras mais permissivas para sua plataforma. Se a liberdade é realmente importante, o Android possui regras mais brandas. Difame à vontade.
Transações: com a Apple, é necessário que os apps iOS e Mac OS X vendam conteúdo dentro do aplicativo para usar o In App Purchase API, pelo qual a Apple ganha 30% de receita. A Microsoft irá fornecer aos desenvolvedores Windows 8 um sistema de compra in-app, mas permitirá que eles também usem seus próprios sistemas de pagamento.
Testes: a Apple não fornece apoio gratuito para testes de apps, um recurso que é particularmente útil quando um aplicativo custa mais do que um ou dois dólares. Já a Microsoft dará suporte a testes, mas os desenvolvedores terão que usar seus sistemas de transação para implementar as atualizações in-app.
Empresas: frente à explosiva popularidade do iPhone e do iPad, a empresa de Steve Jobs só começou recentemente a mirar nos clientes corporativos. Para a Microsoft, o mercado corporativo é mais familiar. A app store do Metro deve ser voltada às empresas desde seu lançamento. A companhia planeja fornecer três maneiras de gerenciar sua linha de negócios: Group Policy, App Locker e sideloading. Essas três tecnologias ajudarão os departamentos de TI a implementar e gerenciar apps Metro da mesma maneira que os aplicativos Windows 7 são gerenciados.
Marketing: a Microsoft reduziu o atrito de instalação do app Metro, agora, ele também poderá ser baixado por meio da Chrome Web Store. Os usuários do Internet Explorer 10 também poderão visualizar as páginas do Windows 8 Store na rede e instalar os aplicativos com apenas um clique. Para os clientes da Apple, esse processo não é tão fácil. É necessário que entrem no iTunes, devido à separação entre o Mac OS X e o iOS.
Ainda é cedo para dizer se as concessões feitas à comunidade de desenvolvedores pela Microsoft irá tornar o Windows mais relevante no mercado de tablets. Mas a abertura da empresa ? ou algemas mais largas ? parece ser um bom começo.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Thaís Sabatini