Lançamento da Cisco representa nova era das redes, diz CEO

O Cisco Live!, principal evento anual da Cisco, realizado nesta semana, em Las Vegas, nos EUA, tem um objetivo claro: mostrar ao mundo o que a nova proposta de rede da fabricante norte-americana é capaz. “Chamávamos de rede, mas agora precisamos renomear o que fazemos. Estamos no início de uma nova era. Tudo que está diante de nós precisa de uma nova infraestrutura de rede”, disse o CEO Chuck Robbins, durante a abertura da conferência, que reúne 28 mil pessoas.

A nova era surge em meio ao avanço das conexões. Estudo realizado pela própria companhia prevê que o tráfego global de conexões IP deve crescer três vezes, atingindo uma taxa anual de 3,3 ZB (zettabyte) até 2021, em comparação ao índice anual de 1.2 ZB em 2016.

“As redes tiveram papel importante em todas as fases da TI até hoje. Estamos entrando em uma nova era e a importância das redes cresceu muito. Todas essa conexões mudarão o futuro das organizações”, destacou.

Intuitiva: a reinvenção da rede
“Precisávamos reinventar a rede e construir uma nova para o futuro”. Futuro esse que, para o executivo, já chegou. A nova proposta da Cisco é a chamada Rede Intuitiva (Network Intuitive), que traz inteligência para oferecer soluções para melhorar a performance a partir do uso e do tráfego da própria rede. Com o intuito de antecipar ações de usuários, bloquear ameaças à segurança e entregar melhor desempenho para atingir as necessidades dos negócio, a plataforma é baseada em três principais soluções: DNA Center, Catalyst 9000 Series e Encrypted Traffic Analytics (Análise de Tráfego Criptografado).

As novidades foram anunciadas pela companhia na última semana e estão sendo agora amplamente debatidas durante o evento. “Reescrevemos 25 anos de desenvolvimento em uma nova proposta. É a solução mais significante que já trouxemos para o mercado”, afirma Robbins.

O foco é aproveitar o tráfego de internet que passa pelas redes Cisco para capturar e analisar os dados, trazendo inteligência às equipes de TI. Uma das principais capacidades destacadas pela companhia é a possibilidade de antecipar ameaças em tempo real, sem comprometer a privacidade.

O DNA Center é um painel de gerenciamento que traz visibilidade da rede para centralizar as ações e funções. Ela também funciona como uma plataforma de analytics para combinar inteligência com o portfólio de segurança. A plataforma é aberta e permite construção de aplicações por meio de APIs.

Já a série de switches Catalyst 9000 representa a nova geração de switches para esta era digital. Trata-se de um sistema programável, que permite entregar serviços e que está pronto para as demandas das novas tecnologias, como IoT, mobilidade, nuvem e segurança.

Por fim, a companhia traz ao mercado o Encrypted Traffic Analytics (ETA), que, segundo a Robbins, vai revolucionar a abordagem de cibersegurança nas redes. A solução analisa ameaças em tráfego criptografado, o que ajuda a garantir segurança e mantém privacidade. “Podemos encontrar malware sem a necessidade de descriptografá-los”. A aposta é atuar nos cerca de 40% das ameaças globais que são encriptadas, segundo estudo da empresa.

O ETA usa o sistema de cibersegurança Talos e técnicas de machine learning para identificar os padrões de tráfego e antecipar as ameaças. Segundo Robbins, a solução garante 99,995% de eficácia para determinar o nível de ameaça de cada malware identificado.

Antes de chegar ao mercado, o novo conceito da Cisco foi testado em 75 companhias, entre elas Nasa, Accenture e Royal Caribbean.  Ainda, de acordo com a empresa, o conceito intuitivo como um todo garante 67% de redução no tempo de provisionamento da rede.

“O que acreditamos é que as redes precisam prover habilidade não sé de conectar, mas de lidar com os dados na ponta, processar esses dados para determinar o que é importante para ir para o data center da empresa e o que não é importante”, diz.

Multicloud
Outro foco da Cisco com a nova proposta é ajudar clientes a lidar com o gerenciamento de diversas plataformas de cloud. O executivo brinca que a migração para a nuvem, em um primeiro momento, tinha o objetivo de tornar as operações mais simples. No entanto, surgiu o conceito de multicloud e a maioria dos usuários atualmente utiliza serviços mais de um provedor de cloud.

“Queremos ajudá-los a navegar nesse mundo de multicloud, para conectar com a rede e prover visibilidade, segurança, análise e gerenciamento. A rede faz o papel de preservar a segurança”, completou.

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da Cisco

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