Para lhes ser franco, eu mesmo considerava o gabinete como a última das preocupações a ser ponderada naquela fase crucial em que se escolhe os componentes do computador que se vai montar. Deixava a escolha sempre para o final e, para mim, desde que não fosse muito chinfrim, tivesse uma aparência decente, o número de baias suficiente para os acionadores de disco que pretendia instalar e os conectores frontais usuais, qualquer um servia. Uma coisinha meio feiosa assim como a exibida na figura 1, por exemplo, estava mais do que bom (prestenção, sô: a “coisinha feiosa” a que me refiro é o gabinete, aquela coisa preta do lado direito da foto).
Mas em uma feira como a COMPUTEX se encontra gabinete de todo o tipo e não era difícil tropeçar em bancadas como a mostrada na Figura 2, de fabricantes “genéricos” que exibiam uma enorme variedade de modelos, alguns de gosto bastante duvidoso (repare nos terceiro e quarto da esquerda para a direita: a frente apresenta ressaltos onde se pode encaixar aquelas peças negras que aparecem grudadas neles, podendo fazê-los ficar tão feios quanto se queira).
Tinha de tudo. Mas havia coisas interessantes (o que não quer dizer que fossem lá essas maravilhas, apenas que despertavam o interesse).
Vejam, do lado esquerdo da Figura 3, um dos modelos da chinesa Segotep (veja outros no sítio do fabricante) com seu jeitão meio abusado. E, do lado direito, o modelo R4 Bulldozer da GMC com sua solução original para localização do acionador de discos óticos (mas, novamente, tenha em conta que “original” não significa necessariamente “prática” e muito menos “eficiente”).
Certamente haverá quem o ache prático e bonito e está aí o seleto grupo de jurados do “Best Products Award” da COMPUTEX 2010 para não me deixar mentir (e nem posso criticá-los já que justamente o gabinete que mais me encantou na Feira e sobre o qual falarmos adiante também foi premiado). Mas no que me diz respeito, dificilmente um bicho destes passaria a menos de vinte metros de minha mesa de trabalho. E não vai aí nenhuma crítica à Thermaltake e sua equipe de projeto (ou desáiningue, para quem gosta de portinglês). É simplesmente uma questão de gosto.
AeroCool, um conjunto de boas ideias
Por outro lado, veja a Figura 5. Ela mostra um pequeno subgrupo do enorme conjunto de gabinetes produzidos pela AeroCool. Sendo tantos, evidentemente haverá quem ache um ou outro de gosto duvidoso. Mas, na sua maioria, mesmo os mais “chamativos”, aqueles concebidos para os aficionados por jogos, podem ser considerados elegantes e, sobretudo, bem concebidos.
Ainda no estande da AeroCool, havia coisas muito interessantes. Veja, por exemplo, na Figura 7, um exemplar da série PGS/B. Olhando-se para sua face frontal, não se dá nada por ele. Tem um jeitão meio sisudo, sem grandes enfeites, até parece feito para um desses escritórios de empresa séria. Mas basta tirar a tampa lateral que se percebe que o bicho é valente. Nele, há lugar para seis ventoinhas, das grandes. Com um gabinete destes, pode vir quente que não há risco de ficar fervendo.
Na Antec, o gabinete de meus sonhos
Mas onde realmente eu me encantei com os gabinetes expostos foi no estande da Antec. E não só pela qualidade e elegância dos gabinetes, mas sobretudo pelos detalhes e soluções inteligentes para facilitar a vida de quem, como eu, volta e meia está fuçando o interior do gabinete para trocar alguma coisa.
A Antec é uma empresa tradicional que, além de gabinetes, fabrica fontes de alimentação, acessórios, sistemas de dissipação de calor (“coolers” e ventoinhas) e os chamados “multimídia stations” (veja a linha completa de produtos no sítio da empresa). Mas, afinal, esta coluna é sobre gabinetes e vamos nos ater a eles.
Vamos começar pelo modelo DF-85, mostrado na Figura 9. Como a maioria dos gabinetes, digamos, de “alto desempenho”, este foi desenvolvido tendo em mente o entusiasta por jogos. Repare, do lado esquerdo da figura, seu aspecto quase agressivo. É bonito? Há quem ache, há quem não ache. A mim pareceu elegante, se bem que eu prefira alguma coisa mais discreta. Mas não foi isto que me chamou a atenção neste modelo. Foi ? como na maioria dos demais gabinetes da Antec ? o cuidado com os detalhes.
Mas tem mais. Você percebeu que acima das ventoinhas frontais há três baias para discos óticos? Bem, elas são removíveis. Como igualmente removíveis são os compartimentos das ventoinhas frontais. Precisa de mais acionadores de discos? Pois remova uma ventoinha frontal e instale mais três baias para discos. O DF-85 pode acomodar até 14 delas.
Mas isto ainda não é tudo. Repare na Figura 10. É uma foto da parte dianteira da face superior do DF-85. Nela aparece um disco rígido padrão SATA parcialmente removido de seu encaixe no compartimento para ele reservado. Para instalar um disco neste compartimento basta remover a tampa frontal de seu encaixe, inserir o disco e empurrá-lo até encaixar seu conector nos soquetes tipo SATA que aparecem no fundo do compartimento. Só isto. Não é necessário remover um único parafuso (embora o sistema permita aparafusar o disco no local para fixa-lo quando se precisar transportar o gabinete). É simples assim. E o disco, naturalmente, pode ser trocado a qualquer momento. Pois, sendo SATA, nem ao menos é preciso desligar o micro.
Mas o gabinete da Antec que realmente me encantou foi o Lanboy Air. E não somente a mim: também ele foi um dos que mereceram ganhar o “Best Products Award” da COMPUTEX 2010.
Aí está um deles na Figura 11 com o painel lateral direito parcialmente aberto.
Repare que os painéis são constituídos de meras molduras preenchidas com uma tela metálica resistente, porém completamente vazada. Isto não apenas oferece uma visão do interior do gabinete como também facilita a ventilação. Note a posição do disco rígido instalado no compartimento aberto. Ele fica assim mesmo, inclinado. E simplesmente encaixado (ou seja, dispensa parafusos), como o que vimos no modelo DF-85. O Lanboy Air aceita até seis deles sem reclamar. Além de oferecer três baias para instalação de discos óticos de 5,25″.
No que toca a refrigeração, o Lanboy Air não fica devendo a ninguém. Aceita até 12 ventoinhas nos painéis superior, traseiro, lateral direito e frontal, além de ventoinhas adicionais exclusivas para discos rígidos e placa de vídeo de alto desempenho, o que deve satisfazer aos fregueses mais exigentes. Mas, para os que não se satisfizerem com elas, o Lanboy Air também vem preparado para aceitar refrigeração a líquido usando um radiador de calor no topo da estrutura, como o gabinete exibido na Figura 12 (veja o detalhe ampliado do radiador no lado direito da figura).
É ou não gabinete para satisfazer até o freguês mais exigente, seja ele um garoto aficionado por jogos ou um velhote que escreve colunas sobre computadores?
B.Piropo
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