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Brasileiros desbravam teoria e criam software de Inteligência Artificial

Dois livros e uma ideia foram o motor de inovação escolhido pelos irmãos Fabrício Alves Diniz, de 29 anos, e Otávio Alves Diniz, de 28 anos, para a criação de softwares gratuitos baseados em Inteligência Artificial. Denominado Kurupira, o projeto consiste, basicamente, na experimentação e criação de programas que possam ser baixados por qualquer pessoa. Atualmente eles contam com dois produtos: solução de gerenciamento de acesso pela internet, o Kurupira Web Filter, e outra mais lúdica, de palavras-cruzadas, o Palavras Cruzadas Kurupira.

 
O projeto foi iniciado em novembro de 2009, demorando cerca de um ano e meio até ficar pronto. O lançamento foi em julho. “Já temos uma empresa de desenvolvimento de software, a F.A.D Software, que faz o gerenciamento de lan houses”, explicou Fabrício, em entrevista ao IT Web. Moradores de Minas Gerais, eles já possuíam o capital necessário para dar início ao projeto. Quando questionado sobre o valor investido, Fabrício disse não possuir detalhes, por ser algo de longo prazo e que mais consumiu tempo do que dinheiro, efetivamente.

 
A plataforma escolhida para o desenvolvimento foi a Visual Basic. Os livros que serviram de base para o processo foram “Redes Neurais e Artificiais: Teoria e Aplicações”, de Antonio de Pádua Braga, e “Inteligência Artificial”, de Stuart Russell e Peter Norvig.

 
Bacharel em ciências da computação, Fabrício buscou referências aprendidas na faculdade para tocar a parte técnica do projeto, ao passo que seu irmão, Otávio fica com os negócios, por conta de seus conhecimentos da área administrativa.

 
“Percebemos que tinha muita procura por produtos relacionados a Inteligência Artificial, procuramos informações em sites de downloads, a ferramenta Key Tool, do Google, e também muita procura por jogos de palavra cruzada e bloqueio de conteúdo impróprio na internet, os chamados web filters”, justificou Fabrício.

 
O software de gerenciamento foi, inicialmente, pensado para pais que quisessem controlar a navegação de seus filhos na rede. Em apenas dois meses – de julho até agora – mais de duas mil pessoas já baixaram a ferramenta. “O que nos surpreendeu foi que a maioria das dos interessados eram donos de pequenas e médias empresas”, disse.

 
De acordo com Fabrício, os irmãos fizeram uma pesquisa no mercado nacional de ofertas de softwares baseados em Inteligência Artificial e redes neurais. O próprio sistema possui um algoritmo de segurança que informa se aquele conteúdo é, ou não, impróprio.

 

Processo de desenvolvimento

 
A principal dificuldade do processo de desenvolvimento foi transformar a teoria dos livros na prática. Fabrício explicou que para garantir que as redes neurais sejam efetivas, é preciso fazer um treinamento constante. “Nesse momento, como não tínhamos um orientador, nós buscamos na web professores e profissionais ligados ao tema”, explicou. Ele disse ter recebido poucas respostas, mas um professor em especial, Fernando Santos Osório, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação – da Universidade de São Paulo, auxiliou muito no processo.

 
“Ele foi muito prestativo e paciente em esclarecer nossas dúvidas básicas sobre as redes neurais em dezenas de e-mails, além de nos apontar alguns materiais disponíveis na internet que facilitaram os nossos estudos. Depois disso conseguimos progredir mais rapidamente no desenvolvimento dos nossos produtos e obtivemos melhores resultados. O interessante é que esse tipo de ajuda virtual, de pessoas que nunca tivemos contato anterior, sempre esteve presente em nossos trabalhos”, disse. A alternativa foi buscar fóruns de discussão online e sites especializados com desenvolvedores da Rússia, Índia, Indonésia e Israel.

 
Para a produção do software de monitoramento, a estratégia utilizada foi a de tentativa e erro. “Selecionávamos um conjunto de dados para treinar a rede e, posteriormente, verificar se ela consegue generalizar. Esta parte foi mais difícil de atingir: a rede neural ia bem nos dados de treinamento, mas nas generalizações não ficavam tão boas. Até ficar bom nos dois foi mais complexo”, explicou.

 
Para o caso das palavras-cruzadas, foi definido o processo de algoritmos genéticos: simula-se um ambiente, aplicam uma analogia à teoria da evolução para conseguir resultado para obter um processo de seleção.

 
O negócio em si – compreendendo aqui a forma de auferir lucros – ainda não foi decidido. “Nós já temos a nossa empresa, então pensamos em desenvolver algo diferente. Em vez de pensar o que daria dinheiro, nos perguntamos o que conseguiríamos fazer de mais útil, o que causaria mais impacto na sociedade e o que poderia ajudar as pessoas”, explicou. Caso eles optem por iniciativas gratuitas, o caminho de rentabilizar seria publicidade, por meio das ferramentas do Google Adsense e Adword.

 
Além disso, com o amadurecimento recente do processo de Startups no Brasil, o surgimento de investidores anjos em projetos nacionais e os casos de sucesso entre pequenas empresas brasileiras e empresas de Venture Capital, pretendemos abrir parte da nossa empresa para aquisições e realizar fusões para ampliar o alcance dos nossos projetos e obtermos um crescimento em escala de forma correta. Porém, vamos buscar parceiros que estejam alinhados com a nossa nova filosofia de empreendedorismo social que nos ajudem a encontrar um modelo de negócio interessante para o Projeto Kurupira ou mesmo outros projetos que temos a capacidade de desenvolver.

 

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