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Kate Darling: precisamos discutir o futuro dominado pelos robôs

A verdade nua e crua é que, no futuro, um robô pode ser capaz de realizar o seu trabalho. Entretanto, as conversas sobre o futuro do trabalho e da tecnologia devem ir muito além desse ponto. Especialmente, quando paramos de comparar robôs e inteligência artificial com seres humanos. Esse foi uma das provocações trazidas pela palestra de abertura do IT Forum Anywhere nesta quinta-feira (10). A especialista líder em ética em robôs do Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Kate Darling, comentou as relações entre robótica e sociedade.

Confira a agenda completa do IT Forum Anywhere

Para a pesquisadora em robótica e sociedade, no futuro, é possível apostar que os avanços tornem possível para a inteligência artificial (IA) copiar o funcionamento do cérebro humano. Assim como os robôs podem desenvolver movimentos mais parecidos e precisos, assim como o dos humanos. Aqui, temos espaço para um questionamento de Darling:

“Por que a gente ia querer isso?”

A própria cientista responde: na sua visão de um futuro robotizado, essa analogia deveria ser diferente. “É aqui que a comparação não cabe. Porque estabelece um determinismo sobre nosso futuro”, explica Kate Darling. Ou seja, transformar robôs em substitutos dos humanos limita o design de novas soluções e não aproveita o potencial da tecnologia.

Máquinas autônomas

“Queria mudar a analogia: não usamos animais em trabalhos porque eles são iguais a nós, mas porque têm habilidades que nós não temos”, explica a pesquisadora do MIT. Assim, as soluções robóticas podem expandir as capacidades humanas e nos tornar mais eficientes.

Kate Darling também acredita que essa mudança de paradigma também afeta a visão legal de robôs, quando falamos de máquinas autônomas e quem deve ser responsabilizado em esfera jurídica. Afinal e de contas, já há um precedente para acidentes semelhantes, por exemplo.

A pesquisadora ainda comenta que há uma relação sendo desenvolvida com essas máquinas. Consumidores dão nomes e desenvolvem relacionamentos com seus robôs aspiradores de pó. Por outro lado, a pesquisadora aponta que, se nós deixarmos de lado a comparação humano x máquina, podemos focar nos “problemas reais” que vamos enfrentar no futuro.

“Ao invés de perguntar como usaremos robôs para substituir empregos, devemos perguntar como a automação pode ajudar as pessoas”, dispara Kate.

Companheiro robótico

“Uma das diferenças entre robôs e animais é que seu pet não pode contar para as pessoas seus segredos”, afirma Darling. Ou seja, as tecnologias recentes adicionam uma camada mais complexa de preocupação com privacidade para o futuro. “Robôs podem ser mais persuasivos, podem fazer você revelar mais informações pessoais ou fazer mais compras do que um animal”, comenta a especialista.

A cientista apresenta dois lados de uma mesma questão: no primeiro, podemos usar robôs de forma terapêutica, assim como animais no passado. Por outro lado, será que a forma como tratamos nossas máquinas pode nos tornar menos empáticas? Essas são só algumas das questões que ainda não possuem respostas e precisam ser estudadas por cientistas como Kate.

No final do dia, elas podem determinar o futuro não só dos robôs, mas de toda humanidade.

Agenda IT Forum Anywhere

O IT Forum Anywhere acontece nos dias 10 e 11 de setembro, reunindo ações relacionamento, palestras recheadas de discussões com conteúdo provocativo e rodadas de negócios. Ainda nesta quinta-feira, serão anunciados os vencedores do prêmio As 100+ Inovadoras no Uso de TI e teremos um bate-papo com Galvão Bueno, dentre outras atividades. A cobertura completa você acompanha por aqui no IT Forum 365.

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