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IoT: Na batalha de padrões, não há zona neutra para CTOs

Jan Brockmann, CTO da AB Electrolux, uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo, visitou a CES em 2014 com uma missão: compreender os desdobramentos futuros da internet das coisas (IoT).

A empresa na qual o executivo trabalha opera nada menos do que 45 fábricas, que mondam produtos de diversas marcas. Justamente por isso, ele acredita que o IoT é uma questão-chave para sua companhia. 

Brockmann espera que grandes fabricantes de TI cooperem para estabelecer protocolos que lhe ajudem a embarcar tecnologias inovadores nos produtos que empresas como a Electrolux fabrica. 

“Meu desejo é que esses provedores conversem e resolvam seus problemas”, sentencia o diretor da empresa que faz parte da  Linux Foundation’s AllSeen Alliance para protocolos focados em internet das coisas. 

Seu interesse específico reside justamente no fato de que são esses os protocolos que permitem que dispositivos se “encontrem”, se “reconheçam”, se “conectem” e se “comuniquem”. 

Brockmann trabalha para convencer grandes vendors presentes na CES a se juntarem a AllSeen. O consórcio possui, atualmente, mais de 100 membros. Fazem parte dele empresas como LG Electronics, Sony, Sharp e Panasonic. Marcas como Microsoft também teriam planos de ingressar no esforço como forma a suportar projetos open source no Windows 10. 

Mais amplo

A criação de padrões para protocolos é uma discussão que permeia muitos dos direcionamentos futuros quanto a internet das coisas. Em junho foi lançado o Open Interconnect Consortium, que tem finalidade muito semelhante (e até concorre) ao do AllSeen.

Esse grupo, encabeçado por empresas como Intel e Samsung, anunciará oficialmente um projeto, também de código aberto, batizado de IoTivity. Isso deve ocorrer nas próximas semanas. 

“As capacidades quanto a IoT são de tremenda importância para a Electrolux”, avalia Brockmann. Ele cita aparelhos como fornos e fogões domésticos, por exemplo. Esses eletrodomésticos poderiam embutir equipamentos como câmeras e sensores que avisassem aos cozinheiros quando um frango assado está no ponto desejado. 

No verdadeiro mundo da internet das coisas, essas imagens do forno poderiam ser disponibilizadas em diversos dispositivos, incluindo televisores, smartphones, etc. Contudo, nem todo fabricante de aparelhos eletrônicos concorda em usar os mesmos protocolos. 

Além dessas possibilidades mais imediatas, a conexão entre produtos permitiria que fabricantes estabeleçam relacionamentos de mais longo prazo com seus clientes, enviando receitas ou propondo manutenção preventiva dos equipamentos, por exemplo. 

“Se não houver acordo entre os fornecedores, a internet das coisas não vai decolar”, projeta o COO da Electrolux, numa afirmação que ilustra uma espécie de batalha que vem sendo travada nas trincheiras para ver qual será o protocolo predominante. 

Na outra ponta, esses conflitos permitem que alguns desenvolvedores independentes construam pontes para ligar padrões distintos e estabelecer alguns níveis de interoperabilidade. 

Philip DesAutels, diretor de internet das coisas na AllSeen Alliance, comparou esse esforço de unir distintos protocolos ao processo de traduzir um texto do inglês para o francês e depois traduzir de volta para o inglês. “No final, não se parece em nada com a carta que você inicialmente escreveu”. 

O executivo defende que será fundamental “pensar como criar um jeito unificado para o tema internet das coisas porque muitas coisas simplesmente se perdem nesse processo de tradução”. 

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