IoT: mercado precisa entender como captar valor

O mercado de IoT foi diretamente impactado pela crise de falta de componentes em todo o mundo. Mas esse não é o único desafio da indústria. De acordo com Daniel Laper, diretor sênior de Fibra e Desenvolvimento de Negócios da American Tower, o problema de componentes está ligado à entrega. E se o desafio é na entrega e não na demanda, já é algo positivo.

O executivo foi um dos convidados do evento Massive IoT Summit, realizado ontem (25). De acordo com ele, o principal limitador é o ROI, porque há um grande volume de projetos, um grande volume de dados e, agora, a fase que o mercado está é a de entender como captar valor desse volume.

“A demanda de componentes é altamente irregular por ser um setor baseado em projetos. por isso, é difícil ter um ROI se os projetos são adiados. Tem um caso que estou acompanhando que era para ser implantado no primeiro trimestre desse ano e está sendo adiado. Agora será só ano que vem. O mercado está escalando, mas está em degraus. Eu acredito que durante o ano que vem, a coisa melhore um pouco”, complementou Rogério Moreira, responsável por desenvolvimento de novos negócios da Smart Modular.

Para Daniel, a primeira vertical vista escalando foi a de rastreamento, pois já tinha clientes finais bastante maduros e que conhecem de tecnologia. Agora, iluminação também é um caminho que poderá crescer.

Quando questionados sobre a capacidade das fábricas brasileiras de atender a uma demanda crescente, Roberval Tavares, CEO da Constanta, afirmou que esse não é um problema. Para ele, as empresas nacionais têm competência e um parque fabril bem estruturado para atender a demanda crescente. Mas será necessário entender, por exemplo, sobre a questão tributária para saber como qualificar o produto, usar os benefícios fiscais para poder escalar.

“Da ótica de investimentos, as empresas procuram um time extraordinário ou uma tecnologia que pode ser dominante. É preciso pensar na capacidade de internacionalizar a tecnologia. No dia a dia do ecossistema em geral, vemos muitos gaps para se fechar no Brasil. Um deles é o Vale da Morte [período em que a startup está no ‘negativo’ até conseguir atingir um ponto de equilíbrio], como chamamos, e para o IoT ele é um pouco mais longo”, define Derek Lundgren Bittar, sócio gerente da Indicator Capital.

IoT Massivo é uma realidade?

Outros especialistas discutiram qual a presença, de fato, do IoT Massivo. Para André Martins, CEO da NLT, ele é visto de maneira muito forte no Brasil. “A gente fala de verticais mais massivas, como rastreamento veicular, utilities, meios de pagamentos, entre outros. Mas, com a conjunção de novas tecnologias, você abre novas portas para novas aplicações.”

Por outro lado, diz Igor Calvet, presidente da ABDI, ainda falta a evangelização. No ponto de vista da manufatura tradicional, por exemplo, a preocupação da indústria ainda é com as dificuldades do dia a dia, do custo trabalhista, do custo da energia elétrica e, se alguém fala sobre a tecnologia, eles acreditam ter problemas mais importantes.

“Quando a empresa pensa somente em redução de custo, ele perde o que o IoT pode oferecer. No caso de uma empresa de luz, por exemplo, se ele quer apenas diminuir os gastos com a medição de energia, ele esquece que o cliente pode ter acesso a um dashboard online, ao invés de ter acesso somente à conta no fim do mês. E isso acaba com o uso massivo”, adiciona André.

José Azarite, vice-presidente de inovação corporativa da Venture Hub, acrescenta ao dizer que não é da natureza das empresas começar com IoT. “Eles buscam algo de negócios e a tecnologia ou infraestrutura vem depois. Nós atuamos por verticais, como agro, saúde e logística. Nós temos algumas verticais que atraem mais startups. Naquelas que a gente já estudou e têm potencial de usar de maneira escalável e global, a gente aposta.”

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