IoT impulsiona mercado financeiro, mas segurança de dados preocupa

A internet das coisas (IoT) já é uma realidade e impulsionará a transformação dos negócios nos próximos três anos aqui no Brasil. Segundo estudo realizado pelo Gartner em fevereiro de 2017, até 2020 serão 20,4 bilhões de ‘coisas’ conectadas em todo mundo, e até 2021, de acordo com a IDC, US$ 1,4 trilhão terá sido gasto com investimentos nesse setor.

Diante desse cenário, seria imprudente ignorar a importância da tecnologia na criação de grandes oportunidades de mercado para diferentes setores. Na área financeira, por exemplo, a IoT abrirá portas para a oferta de melhores serviços bancários online e móveis, a criação de novos meios de pagamento, melhor segurança on-line e atendimento ao cliente. A possibilidade de conectar inúmeros dispositivos à internet ajudará as instituições na detecção de fraudes, pagamentos móveis e automáticos.

Contudo, a efetivação da IoT no dia a dia das empresas ainda enfrenta muitos desafios. Um deles, em especial, é com a segurança, principalmente quando aplicada à indústria financeira. A avaliação é da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC).

Como a segurança ainda não é o foco da IoT, já que é algo novo até para os fabricantes que ainda estão padronizando técnicas de desenvolvimento seguro, a ABINC em parceria com a IoTSF, criou um comitê para debater a segurança na IoT e contribuir na elaboração e promoção das melhores práticas de segurança.

Junto com outras entidades e especialistas do tema ao redor do mundo, como ISF, ISA/IEC, OWASP, ISO/IEC, IISF, CSA, o desafio do grupo é proteger toda cadeia física e camadas de software para tratamento massivo de dados, além de ajudar a definir aspectos regulatórios e impactos jurídicos advindos da utilização da IoT, como a privacidade e proteção de dados pessoais.

Para Paulo Pagliusi, líder do Comitê de Segurança da ABINC, é preciso conceber novas soluções de segurança específicas à IoT na indústria financeira, capazes de defender seus sistemas contra ataques externos e internos: “Com a IoT qualquer objeto poderá estar conectado e, certamente, passarão pelos mesmos problemas da TI tradicional. Por isso devemos investir em segurança para esta área, já que qualquer dispositivo comprometido pode se tornar um ponto de entrada para o ciberatacante, o que aumenta ainda mais a possibilidade de invasões”.

Os desafios para criar uma plataforma de IoT confiável, que permita a utilização segura por instituições financeiras, são muitos. Por ser uma das áreas mais vulneráveis a ataques cibernéticos, as pessoas suspeitam de dispositivos que registram seus dados privados. “Nossa prioridade é tornar o sistema IoT seguro, mais barato e padronizado, com linguagens de programação e soquetes únicas. Com padrões comuns a fabricantes de dispositivos, será mais fácil fazer manutenção e alterações além de baratear o custo”, complementa Pagliusi.

Preocupação com o tema

As vulnerabilidades dos dispositivos de IoT representam o paraíso para os ciberatacantes. De acordo com o Ponemon Institute, 80% das aplicações de IoT não são testadas devidamente em segurança, e 70% dos dispositivos criados, segundo a HP, são vulneráveis a ataques. Embora em franco crescimento e com muitas oportunidades para a indústria financeira, a IoT ainda não está madura nem segura para seu uso pleno.

Mas então, qual seria a solução mais viável? Para Pagliusi, investir em segurança cognitiva é o caminho ideal “por ser um processo que compreende, raciocina e aprende”. Ao aliar a inteligência artificial à segurança da informação, é possível ter uma compreensão maior da linguagem natural, imagens e outras informações sensoriais, além de apresentar um raciocínio complexo que gera não só respostas, mas também hipóteses, tudo baseado em evidências e recomendações para melhor tomada de decisão, em tempo real.

“Quando mal entendida e mal configurada, a IoT representa risco para nossos dados, privacidade e segurança na indústria financeira. Bem entendida e protegida, ela incrementará as comunicações, estilo de vida e a entrega de serviços na indústria financeira”, conclui o executivo.

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