Inteligência artificial pode substituir funções do cérebro?

O mercado de inteligência artificial (AI) avança sem precedentes e a perspectiva é de um mundo cada vez mais automatizado. Mas as máquinas de fato podem substituir funções do cérebro humano?

Para Jesper Rhode, consultor da Hyper Island no Brasil, os computadores ainda estão longe do poder do nosso cérebro em um quesito: uso de energia. Ele explica que um cérebro tem 100 milhões de neurônios, que consome cerca de 70 Watts em termos de energia. Para construir um computador com essa mesma competência, seria preciso o consumo de 24 MegaWatts.

“Hoje ainda estamos longe de poder trabalhar com esse nível de inteligência por conta do nível de energia”, comentou Rhode, durante participação no IT Forum Expo 2017, nesta quarta-feira, em São Paulo (SP).

Rhode explicou o passado e o futuro do cérebro, que já contou com três fases: Réptil (de realizar atividades básicas); Límbico (com os mamíferos, quando começa a ter a ideia de pertencer a um grupo e ter emoções); e Neocortex (quando surge o pensamento racional). Agora, Rhode comenta que estamos prestes a criar uma quarta camada, que visa nos conectar em tempo real – motivadas pelas tecnologias.

Para o especialista, não existe nada mais complexo para entender no ser humano do que o cérebro. Por isso tamanha complexidade para debater um tema como esse.

AI em foco

Rodrigo Galvão, presidente da Oracle, ao lado de Lucas Vargas, CEO do VivaReal

Para enriquecer o debate, Rhode recebeu no palco cinco líderes que têm atuado fortemente no mercado de inteligência artificial.

Marcelo Porto, presidente da IBM no Brasil, diz que a empresa evita usar o termo AI e busca falar em inteligência aumentada. “Por isso tomamos o cuidado para usarmos o termo cognitivo”, explicou.

Para o executivo, a empresa enxerga essas plataformas cognitivas com capacidade de analisar o universo de dados, que vão permitir potencializar a capacidade dos profissionais. “Plataformas como essas vão substituir 5 ou 7% das profissões, mas vão impactar 100% das profissões”, projeta.

Se por um lado o conceito de computação cognitiva tem sido amplamente disseminado pela IBM, outra gigante da tecnologia também está apostando fortemente no setor. A Oracle anunciou no último mês um banco de dados autônomo, que utiliza dados para, por meio de software, auxiliar na tomada de decisões. “É a inteligência artificial atrelada ao nosso dia a dia para aumentar a produtividade e fazer com que nossas atenções se virem para inovação e disrupção”, destacou Rodrigo Galvão, presidente da Oracle Brasil.

Cassio Pantaleoni, presidente do SAS, diz que o grande desafio da AI é primeiro entender a mente humana como uma grande máquina preditiva. “A realidade que conhecemos nada mais é do que uma grande alucinação coletiva provocada pelo nosso cérebro que cria consenso de algo. O grande esforço é que a área de tecnologia descubra como colocar isso nas máquinas”, afirmou.

Peter Kronstrom, CEO América Latina do Copenhagen Institute for Future Studies, segue o mesmo raciocínio de Pantaleoni, mas acredita que a indústria ainda vai demorar para de fato entender a consciência humana. “Ainda sabemos muito pouco”, opinou.

Tecnologia a favor

Seguindo a linha do uso da tecnologia para otimizar o dia a dia das pessoas, o VivaReal é um excelente exemplo. A plataforma imobiliária on-line reúne ofertas de compra e aluguel de imóveis em um marketplace fácil e prático para os usuários. “Trabalhamos com o conceito de criar dados e facilitar a vida das pessoas no mercado imobiliário. O VivaReal é um caso prático do que é possível fazer com AI”, resumiu Lucas Vargas, CEO da companhia.

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