Controle de arquivos transferidos e complementos
Aqui mais duas “novidades” que só são novas para quem usava o IE8, posto que os demais navegadores já as adotaram há um bom tempo: o controle de arquivos transferidos (ou “downloads“) e o gerenciador de complementos.
Quanto ao primeiro: afinal a MS decidiu integrar a seu navegador uma facilidade que os demais já estavam cansados de usar: o controle de arquivos transferidos (ou “Gerenciador de Downloads”, como ela prefere chamar). Que permite verificar o estado de cada arquivo que está sendo ? ou já foi ? transferido para sua máquina, fornece informações sobre seu eventual grau de periculosidade, faz um monte de verificações de segurança e ? a grande sacada deste tipo de recurso ? mostra o local de seu(s) disco(s) no qual o arquivo foi armazenado. E faz tudo isto a partir de uma única janela.
Confortavelmente, esta função do IE9 se integra ao sistema operacional e, portanto, à pasta “Downloads” de Windows. A janela do Gerenciador de Downloads permite gerenciar todas as transferências simultâneas em um mesmo local, pausando ou cancelando as que estão em andamento, localizando, abrindo ou executando os arquivos já transferidos e tudo o mais que for necessário para organizar as transferências, tudo isto sem interromper a navegação.
Por exemplo: se você estiver transferindo um arquivo muito grande e precisar interromper a sessão de trabalho ou sua conexão com a Internet cair, pode interromper a transferência e retomá-la do ponto em que parou quando religar a máquina.
Nada de muito revolucionário, naturalmente. Mas era o tipo do recurso que o IE8 não tinha e que faz uma falta danada.
Já o supervisor de desempenho e complementos permite não apenas gerenciar os complementos como também receber notificações sobre aqueles que de alguma maneira podem afetar o desempenho do programa. E, se for o caso (ou seja, se o complemento, por mais útil que seja, está atrapalhando mais que ajudando), pode-se simplesmente desativá-lo. Basta clicar no ícone “Ferramentas” (aquele em forma de uma pequena engrenagem, um dos poucos que restaram na resumida barra de ferramentas do IE9) e na entrada “Gerenciar complementos” para abrir a janela correspondente.
Ela mostra os complementos agrupados por tipo. Selecionado um deles, informações adicionais aparecem no painel inferior. A janela oferece ferramentas para desabilitar ou remover complementos indesejados, além de atalhos no canto inferior esquerdo com os quais se pode procurar complementos adicionais na Internet ou obter informações adicionais sobre eles.
Conclusão
Mas, ao fim e ao cabo, valeu a pena?
Bem, a julgar pelo que os analistas escreveram sobre o IE9, a MS fez um bom trabalho.
Ed Bott, respeitável colunista da ZDNet, fecha seu artigo sobre o programa “Internet Explorer 9 beta review: Microsoft reinvents the browser” afirmando que “Internet Explorer 9 represents a nearly complete break with the past for Microsoft. It is the most standards-compliant browser Microsoft has ever created, with nearly complete support for the CSS3 and HTML5 standards” (“O IE9 representa um quase completo rompimento da MS com o passado. É o navegador mais compatível com padrões jamais criado pela MS, com suporte quase completo para os padrões CSS3 e HTML5”). E acrescenta: “Personally, I find the performance and usability improvements in IE9 nearly irresistible.” (“Pessoalmente, achei o desempenho e os melhoramentos na usabilidade do IE9 quase irresistíveis”).
O sítio TechSpot, em seu noticiário de 21/09/2010, afirma “Microsoft released the IE9 beta last week and even we noticed that users were particularly interested: it was one our most highly-trafficked and most-commented articles. Readers had mixed opinions: some complained that the beta crashes often and is completely unusable while others were surprised at its sheer speed and simplified interface“. (“A MS liberou a versão beta do IE9 semana passada e até nós percebemos que os usuários estão particularmente interessados: foi um dos artigos mais visitados e mais comentados. Os leitores têm opiniões diferentes: alguns reclamam que o beta trava frequentemente e é completamente inútil enquanto outros se mostram surpreendidos com a rapidez e interface simplificada”).
E por aí vai. De um modo geral, mesmo ressaltando que se trata de uma versão beta, a maioria das opiniões têm sido favoráveis.
Quanto a mim, indiscutivelmente, o IE9 pareceu um navegador bastante interessante sobretudo devido à sua forte integração com o Windows 7 (li alguns comentários que afirmam que ele não pode ser instalado no XP; não tentei, mas nos dias de hoje isso definitivamente não pode ser considerado um defeito). E quando a versão final for lançada, talvez ela consiga me fazer abandonar o Firefox que tenho usado já há mais de ano e voltar ao IE. Isso, naturalmente, se forem resolvidas as incompatibilidades que encontrei entre a versão beta e o WordPress, a que tenho que recorrer sempre que vou atualizar minhas colunas no FPCs.
Mas, ao fim e ao cabo, parece que todos ganharão com o lançamento do IE9.
Senão, vejamos. E voltemos a recorrer às estatísticas do W3Schools sobre navegadores (e, desta vez, vale mesmo a pena consulta-las pelo interessante quadro se revelou no último ano e meio).
Com efeito, até 2005 o domínio do IE sobre o mercado de navegadores era inconteste. É fato que vinha caindo, mas em janeiro daquele ano, data do lançamento do Firefox (com este nome; antes, era Mozilla), ainda detinha 75% do mercado.
Daí em diante o que se viu foi um crescente aumento da fatia do mercado abocanhada pelo Firefox, que passou a crescer inexoravelmente de seus 17% iniciais até, justos quatro anos depois, alcançar o IE. Em janeiro de 2009 ambos detinham quase exatamente a mesma fração do mercado: 45%.
O curioso é acompanhar o que ocorreu daí em diante.
O Firefox, ao que parece, chegou a seu limite e já começou a decair. Atingiu seu máximo (47,5%) em outubro de 2009 e desde então passou a declinar, lenta mas continuamente, até os 45,8% que detém agora (bem, quase agora: mais precisamente até o mês passado, agosto de 2010).
O IE, por sua vez, continuou a cair praticamente com a mesma taxa. De seus 45% em janeiro de 2009 baixou para 31% em agosto de 2010.
Então, quem ganhou a grande fatia perdida pelo IE e a pequena perdida pelo Firefox?
Ora, o Chrome da Google, lançado em setembro de 2009 e que, sem parar de crescer um mês sequer, passou dos 4% que detinha em janeiro de 2009 para os 17% que detém hoje. Quase exatamente a soma das perdas dos outros dois (o Opera e o Safari, literalmente, não fedem nem cheiram: a soma da fatia pertencente a ambos se mantém estacionada ligeiramente abaixo dos 6% em todo o período).
Ou seja: uma interessantíssima disputa de mercado.
Entrementes, os sítios da Internet estão se modernizando e adotando cada vez mais os padrões do W3C.
O IE9 parece ser, no momento, o navegador que mais adere a estes padrões, o que representa uma vantagem inconteste.
Mas os outros dois não vão ficar parados, evidentemente. E já começaram a “correr atrás do prejuízo” mesmo de qualquer prejuízo ter se manifestado (os efeitos do lançamento do IE9 ainda não se fizeram sentir, naturalmente).
Portanto, para acompanhar as melhorias do IE9, melhorarão tanto o Chrome quanto o Firefox. Que ganharão com isto.
Como, naturalmente, ganharão seus usuários.
Em suma: uma luta interessante. O tipo da disputa que dá vontade de dizer: “que vença o melhor”. Pois não diga. Ao contrário, diga: “que continue a disputa e que jamais haja um vencedor”.
Porque, se houver, manifestar-se-á novamente o domínio do mercado por um programa navegador, o “melhor”.
E, infelizmente, ele será o único a ganhar. Porque, enquanto dominar o mercado, o programa acomodar-se-á e não evoluirá. E cm isto, não são apenas seus concorrentes que perderão. Perderão também os usuários destes programas, que não estarão usando “o melhor”. E perderão os usuários do “vencedor”, seja ele qual for, porque embora estejam usando “o melhor”, estarão usando um produto estacionado no tempo, que não evolui porque seus desenvolvedores não estarão motivados para tal ? afinal, se já dispõem do “melhor”, não sentirão vontade de melhorar ainda mais.
Em suma: perdem todos.
Aconselho então que devotos do Firefox e Chrome “torçam” pela melhoria do IE. Aos que depositam sua fé no IE e no Firefox, para “torcer” para o crescimento do Chrome. E àqueles cujo coração pertence ao Chrome ou IE, a “torcer” pelo aperfeiçoamento do Firefox.
Assim ganharão todos e eu continuarei tendo o prazer de escrever, sobre cada um deles, o mesmo que escrevo aqui, fechando minhas primeiras impressões sobre o IE9:
Não tenho a menor dúvida que esta nova versão representa uma enorme melhoria em relação à anterior.
E bola pra frente…
B. Piropo
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