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Cisco Brasil afasta dois executivos envolvidos em acusações da Operação Persona

A operação Persona, detonada pela Polícia Federal e a Receita para investigar suposto esquema fraudulento de importação de equipamentos, gerou os dois primeiros afastamentos oficiais de executivos na Cisco Brasil, que está sob investigação da Polícia junto à distribuidora Mude e uma série de outras companhias desde meados de outubro.

Neste final de semana, a divulgação de que empresas ‘laranjas’ foram usadas pela Cisco para a realização de uma doação de 500 mil reais ao Partido dos Trabalhadores (PT), este ano, em troca do favorecimento a uma cliente da Cisco em uma licitação pública (a Damovo) promovida pela Caixa Econômica Federal chegou à imprensa junto à notícia do afastamento.

A companhia, entretanto, não cita relação direta entre a decisão de afastar os executivos com a doação ao PT, que teria sido descoberta nas interceptações de conversas telefônicas e nos documentos apreendidos pela Polícia Federal, segundo o jornal Folha de São Paulo.

Em nota ao COMPUTERWORLD, a Cisco admite que afastou Carlos Carnevali Júnior e Sandra Tumelero de suas funções, colocando-os em licença administrativa remunerada. A alegação, entretanto, é que a decisão foi baseada “nas descobertas preliminares no processo de investigação interna em andamento”, segundo o comunicado da Cisco Brasil.

A reportagem da Folha de São Paulo, porém, afirma que Carlos Carnevali Júnior, diretor de vendas da companhia americana, tratou das doações ao Partido dos Trabalhadores em conversas telefônicas interceptadas pela Polícia.

Carnevali Júnior é filho de Carlos Carnevali, responsável por trazer a Cisco ao Brasil, em 1994, e apontado como um dos líderes do suposto esquema fraudulento. O pai do diretor de vendas teve sua prisão alterada de temporária para preventiva e continua detido em uma cadeia de Guarulhos (SP).

Quem fala com Carnevali Júnior nas conversas interceptadas é Sandra Tumelero, gerente de contas que atendia a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil na Cisco. De acordo com a reportagem, duas empresas ‘laranjas’ da Bahia fizeram, cada uma, doações de 250 mil reais ao partido do presidente da República.

Em troca, a Caixa Econômica Federal teria alterado uma licitação de equipamentos de rede para que a Damovo fosse a vencedora, com produtos Cisco. Desde que a suposta doação veio a público, a Caixa nega qualquer irregularidade em suas licitações, assim como a Damovo, que afirma ter ganhado um lote da concorrência e perdido os demais três.

Acompanhe a íntegra da nota enviada pela Cisco:
“A Cisco tomou conhecimento sobre as acusações contra Carlos Carnevali e irá estudar, detalhadamente, as denúncias para entender melhor essas alegações. A empresa continuará a cooperar com as autoridades e completará suas investigações internas para assegurar o total entendimento sobre o que aconteceu na unidade Brasil e tomar as medidas apropriadas em relação à continuidade do emprego de Carlos Carnevali.

A Cisco respeita muito o trabalho que se encontra em andamento pelas autoridades brasileiras para determinar os fatos pertinentes a esta situação.

Baseado nas descobertas preliminares no processo de investigação interna em andamento, a Cisco decidiu colocar os funcionários Carlos Carnevali Júnior e Sandra Tumelero em licença administrativa remunerada. Esses funcionários serão mantidos nessa situação até que seja concluída a investigação interna conduzida pela empresa.”

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