A Datasul anunciou nesta quinta-feira (01/06) o início de sua oferta pública de ações. De acordo com o comunicado ao mercado, a distribuição primária compreendeu 8,37 milhões de ações e a secundária, 9,23 milhões de papéis.
O valor atingido foi de 18 reais por papel, o que corresponde à captação de 317 milhões de reais. Os papéis começam a ser comercializados na Bolsa de Valores de São Paulo nesta sexta-feira (02/06).
O valor fixado para as ações da Datasul correspondem ao mínimo estimado. No início de maio, a companhia informou que a faixa de preço estimada para as ações era de 18 a 25 reais. O início do período de reserva das ações aconteceu em 15 de maio.
O pedido para registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi feito pela Datasul na primeira quinzena de maio. Até então, o capital social da companhia era composto de 20,6 milhões de reais em ações ordinárias sendo o acionista majoritário o grupo M. Abuhab Participações, com 17,3 milhões de papéis.
Na ocasião, a companhia informou que as licenças de uso e de manutenção representaram 20,4% e 69% do faturamento do ano de 2005. As operações no exterior – Argentina, Chile, Colômbia e México – totalizaram 2 milhões de reais no ano passado, representando cerca de 1,3% das receitas totais.
A iniciativa de abertura de capital da Datasul não é nova. A empresa vem falando sobre esta estratégia há pelo menos seis anos. No fim do ano de 2000, o então presidente Miguel Abuhab, já tinha expectativas da abertura para o ano seguinte.
Mercado agitado
A abertura de capital da Datasul acontece pouco mais de três meses depois da Totvs, empresa também do ramo de sistemas corporativos, lançar suas ações ao mercado. Na ocasião, a companhia captou 460 milhões de reais com 14,3 milhões de papéis emitidos. Em abril, a companhia anunciou a compra da RM Sistemas e agitou mais uma vez o mercado. Um dia após o anúncio da aquisição, os papéis da Totvs chegaram a valorizar 10%.
De acordo com Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da consultoria IT Data Consulting, a tendência de abertura de capital de companhias de TI é considerada positiva e pode ser interpretada até mesmo como uma forma de fortalecimento e resistência a eventuais aquisições. “Até o fim do ano acredito que mais companhias brasileiras deverão abrir o capital na área de TI. Talvez não tão grandes como Datasul ou CPM, mas empresas médias e com focos específicos”, estima.
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