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Governo diverge sobre objetivos da criação do PC popular

O Ministério da Ciência e Tecnologia está preocupado quanto a imagem que vem sendo criada dentro do próprio Governo com relação a criação de um computador de baixo custo, que permitirá a universalização da internet.

Técnicos do MCT temem a possibilidade de que seja criada uma falsa imagem do produto, por erro de interpretação da estratégia inicial de incentivo à produção de computadores a um custo menor, que possam até mesmo vir a ser financiados para uma população que ainda não tem condições de adquirir os equipamentos atuais, devido aos altos preços de mercado.

“O termo não é o melhor. Nós estamos falando de mais de um produto”, afirma a Secretária de Política de Informática e Automação do MCT, Vanda Scartezini, sobre o apelido de PC popular, que vem sido utilizado por autoridades governamentais, entre eles, o Ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga.

Um dos problemas de interpretação é quanto ao preço do produto e a faixa da população que poderá adquirí-lo. A estratégia governamental é criar equipamentos que cheguem a população ao preço de US$ 250 ( cerca de R$ 600,00 ). Vanda Scartezini entende que tal equipamento poderá ser financiado ao usuário por prestações que não ultrapassem os R$ 30,00. Mesmo assim, a faixa salarial da população, que no seu entender poderia se valer desse crédito para a compra, estaria entre os cinco salários mínimos (R$ 900,00).

“Não estamos falando de uma população de renda mais baixa, porque não há condições dessa população estar entrando nesse programa”, afirmou a Secretária de Política de Informática e Automação. Na sua avaliação, as camadas sociais com renda inferior a cinco salários mínimos terão acesso à internet por outros meios, como os pontos gratuitos que o Governo quer criar em órgãos públicos.O segundo problema de interpretação é quanto ao tipo, a especificação do PC ou suas características técnicas. O MCT vai apresentar ao Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Pedro Parente, no próximo dia 15, os estudos relativos às especificações técnicas mínimas que serão exigidas junto aos fabricantes, para o financiamento e incentivos a criação de computadores de baixo custo. Segundo a Secretária de Política de Informática e Automação, Vanda Scartezini, o ministério apresentará algumas faixas de produtos que podem se enquadrar dentro dessas especificações.Ao falar para servidores públicos que participam de um curso de gestão em TI do Centro de Tecnologia de Software de Brasília (Tecsoft), Vanda apresentou duas soluções possíveis de computador de baixo custo. Uma dessas especificações seria um PC que desse apenas o acesso à intranet e internet, sem a presença de periféricos. A secretária argumentou que esse modelo teria pouca aplicabilidade para um usuário, além do acesso à internet, já que não permite armazenar dados. “Isso serve para o cidadão levar para a casa dele? Na nossa cabeça, não”, explicou. Para a técnica do MCT, esse equipamento teria melhor função no segmento corporativo, junto as escolas, prefeituras, órgãos públicos, empresas, entre outros. Nesses locais de trabalho esse modelo de computador, que não dispõe de um disco rígido ou periféricos, trabalharia em rede, com a vantagem de permitir o acesso à Internet, sem que se corra o risco de inserção de vírus ou retirada de dados não autorizados.

A outra solução apresentada pelo MCT seria a criação de um equipamento com funcionalidades básicas e mínimas como, a presença de um software de editoração e um que permita criar planilhas. Esse computador também deve permitir ao usuário a capacidade de evolução através de compra de periféricos posteriormente. Na reunião do próximo dia 15, a Secretária de Política de Informática e Automação espera que sejam definidas as regras para o financiamento da indústria que planeje se engajar ao programa, assim como também, um discurso mais claro quanto aos seus objetivos, de forma que se evitem críticas futuras com relação à universalização da informática e do acesso à Internet.

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