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O CIO de Mocotó

Para se atualizar neste dinâmico mundo da Tecnologia da Informação é preciso ler, pesquisar, participar de eventos e assim por diante. Num congresso recente, foi durante o almoço que tive uma boa oportunidade de reflexão. Saí daquela refeição com algo a mais do que um punhado de cartões de visitas no bolso e umas mil calorias.

Era um daqueles eventos grandiosos. Quatro dias de exposição, congresso e muita festa. Na hora do almoço, a multidão faminta invadia o salão. Estava só e peguei uma mesa. Cada um que chegava à mesa cumprimentava os demais, se apresentava e trocava cartões.

Esta é uma tradicional oportunidade de conhecer outras pessoas. O aspecto mais surpreendente é que os meus nove colegas de mesa eram funcionários públicos. Estavam todos vinculados direta ou indiretamente ao governo!

Não era um congresso de informática pública. Eu não estava no Nordeste, nem em qualquer lugar do Brasil. Também não estava em nenhum país ex-comunista numa fase de árdua transição. Eu estava nos Estados Unidos da América, numa das principais conferências sobre tendências da tecnologia.
Naturalmente, a desproporção encontrada naquela mesa foi obra do acaso. A minha curiosidade, no entanto, fez com que pesquisasse a origem de todos os participantes. Descobri que o disputado evento era dividido pelos setores público e privado em partes iguais.

A minha surpresa, compartilhada com outros colegas, deve-se ao fato daquele país ter no setor privado o retrato tão marcante da sua pujança. Associamos aos Estados Unidos, as grandes corporações privadas e esquecemos da sua poderosa máquina estatal.

Ao contrário do Brasil, é natural imaginar que mesmo as menores entidades públicas já contam com o apoio da informática. Um aspecto curioso, é que boa parte destas pessoas que eu conheci, naquela ou em outras refeições, se apresentam como CIO (Chief Information Officer). Usar este título é, no mínimo, atual.

No Brasil, temos importantes sinais do esforço de modernização da administração pública com o uso da tecnologia. Existem inúmeros exemplos que nos orgulham. Por outro lado, se nos afastássemos uns 100 km dos grandes centros, teríamos a mesma constatação?

É provável que encontremos alguns verdadeiros heróis, mas que não disponham de recursos para adquirir equipamentos. Em outro lugar, poderíamos encontrar computadores parados a espera de profissionais. Nos confins deste País, o pior: não encontraríamos nada!

O contraste com a situação norte-americana mostra que estamos diante de uma enorme jazida de oportunidades. Imagine se cada instituição pública recebesse o investimento em informática que mereça. Pensem nas escolas e nas prefeituras mais longínquas! Talvez um ciclo de prosperidade, algo como dez anos seguidos de crescimento, coloque o Brasil mais perto desta situação. Acredito que chegaremos lá, ainda que demore algum tempo.

Será um mercado onde imperarão as soluções econômicas e criativas. Os fornecedores que desenvolverem pacotes apropriados serão recompensados. Vai levar tempo para a prefeitura de Mocotó ser assinante do Gartner. Mas, o Computerworld bem que pode circular por lá. E, sem dúvidas, o mundo público será fonte de uma fatia crescente desta publicação.

A propósito, Mocotó é uma cidade do Maranhão que eu nunca visitei e de onde não conheço ninguém. Mas, com certeza a Tecnologia da Informação poderia fazer algo mais pela sua administração.

|Computerworld – Edição 358 – 20/02/2001|

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