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HP/Compaq: empresas já definiram estrutura comum

O presidente da HP Brasil, Carlos Ribeiro, revelou durante um encontro com jornalistas – realizado no primeiro final de semana de dezembro – que a Hewlett-Packard já definiu a estrutura organizacional da nova empresa, que surgirá a partir da fusão com a Compaq. O executivo afirmou, ainda, que o processo de aprovação do negócio deve levar mais alguns meses.

“Nossa expectativa é que tudo se resolva até o fim do primeiro semestre do ano que vem”, disse Ribeiro, lembrando que todas as subsidiárias da companhia vêm trabalhando fortemente no planejamento das ações de integração, que devem se iniciar um dia após a aprovação do negócio pelos órgãos reguladores norte-americanos e europeus.

Apesar das restrições legais, algumas informações sobre a nova empresa foram adiantadas. Já está definido, por exemplo, que a divisão societária dará ao conselho da HP 64% das ações, ficando o restante (36%), com o conselho da Compaq. “Este processo é irreversível, já que ambos os conselhos aprovam fortemente a fusão”, afirmou Ribeiro, lembrado sobre a possibilidade de problemas advindos da discordância dos herdeiros da HP.

Divisão

A nova empresa vai continuar se chamando Hewlett-Packard e será dividida em quatro áreas: dispositivos de acesso, infra-estrutura de TI, serviços e impressão. As unidades serão comandadas respectivamente por Duane Zitzner (HP), Peter Blackmore (Compaq), Ann Livermore (HP) e Kyomesh Joshi (HP).

Baseado no faturamento das duas empresas em 2000 (US$ 87 bilhões), Ribeiro afirmou que as fontes de receita da empresa ficarão divididas da seguinte forma: dispositivos de acesso (33%), corporações (26%), imagem (22%) e serviços (22%). “Certamente é um mix mais equilibrado do que as duas empresas têm hoje. Só como exemplo, em 2000 a HP teve 41% de sua receita gerada em imagem, enquanto a Compaq teve 48% originados em dispositivos de acesso”, revelou.

Apesar dos problemas que podem surgir no processo de integração, Ribeiro afirma que, após a fusão, a nova empresa será a primeira do mercado em servidores, PCs, handhelds, imagem e impressão. “Além disso, estaremos entre os três primeiros nas áreas de serviços, armazenamento e software de gerenciamento”, afirmou, lembrando que ainda não pode dar detalhes sobre a organização do processo no Brasil.

Perfil da nova HP
Controle acionário – HP (64%); Compaq (36%)
Sede – Palo Alto, EUA
Unidades – dispositivos de acesso, infra-estrutura, serviços e impressão
Funcionários – 150 mil, sendo 65 mil em serviços e consultoria
O percentual de cada uma:
Segmento HP Compaq Nova HP
Imagem 41% 22%
Serviços 19% 18% 19%
Corporações 19% 34% 26%
Dispositivos de acesso 21% 48% 33%
Faturamento US$ 47 bi US$ 40 bi US$ 87 bi
Fonte: HP Brasil


Enquanto isso, no Brasil

Subsidiária local da HP define a estratégia de atuação para os próximos anos independente da conclusão do processo de fusão. Organograma inclui a definição do novo VP de vendas corporativas.

Uma das primeiras reações do mercado ao anúncio da fusão entre a Compaq e a Hewlett-Packard foi a de que as duas empresas passariam por um período de inércia, principalmente enquanto durasse o intervalo de aprovação do negócio por parte dos conselhos de acionistas e órgãos reguladores. Contrariando esta lógica, a HP Brasil anunciou, na primeira semana de dezembro, já ter definido sua estratégia de atuação para o ano que vem.

Pelo menos no discurso, a empresa parece ter bem definida sua estrutura organizacional, a partir da qual promete desenvolver toda a sua cadeia de valor no mercado brasileiro. A estrutura é complexa, mas baseia-se em um conceito simples: conectividade.

“Na nossa visão, a Tecnologia da Informação deixa de ser vista como produto e passa a ser oferecida como serviço, proporcionando maior nível de integração entre o mundo digital e o mundo físico”, conceitua Carlos Ribeiro, presidente da empresa no País.

A perspectiva de futuro do executivo é a seguinte: há de chegar o momento em que tudo estará baseado em computação centrada em serviços, permitindo que equipamentos – ou conjuntos de aparelhos – se conectem quando uma tarefa for necessária e se desconectem quando ela estiver concluída.

Ilusões mercadológicas à parte, Ribeiro afirma que, a partir de agora, todas as estratégias da empresa estarão baseadas em três grandes áreas: Internet, serviços baseados na plataforma Web e dispositivos (desde servidores até handhelds) com capacidade de conexão. “Acreditamos que este é o futuro do mercado, e estamos nos reorganizando para atender a estas três frentes”, diz.

Na prática, as visões de futuro da fabricante se traduzem em uma hierarquia interna, definida em um organograma dividido em duas grandes áreas comerciais e três áreas de desenvolvimento. Dirigida ao atendimento do mercado corporativo, estará a Business Customer Organization (BCO), que contará com o suporte das divisões Technology Finance, Consulting e Services.

Com foco no mercado doméstico, a área de Consumer Business Organization (CBO) terá também o apoio da divisão Services. Numa linha contínua, fornecendo soluções para as duas áreas, estão as divisões de Computing Systems, Imaging & Printing Systems e Embedded & Personal Systems. “Com essa organização, poderemos ajudar nossos clientes a viabilizar sua transformação para este mundo que vislumbramos”, garante Ribeiro.

Nova estrutura,
novo executivo

Juntamente com sua estratégia, o presidente da HP Brasil apresentou seu novo vice-presidente de vendas da área de BCO (Business Consumer Organization). Rodolfo Cadernuto, que ocupava a gerência de vendas para empresas de pequeno e médio porte, assume a função dois meses após a saída de Arnaldo Murasaki. Desde então, o cargo vinha sendo acumulado pelo próprio Carlos Ribeiro Cadernuto trabalhou por dez anos na HP. Em 1997, deixou a empresa para ocupar cargos como a vice-presidência de marketing e sales da Nextel e a vice-presidência executiva da Vésper, de onde saiu para retornar à fabricante de hardware, em julho deste ano.

|Computerworld – Edição 356 – 19/12/2001|

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