O Afeganistão ainda tem uma longa estrada pela frente até completar sua recuperação. Entretanto, se por um lado ainda existem muitos problemas que assolam a população, por outro já existem iniciativas do setor privado para a reconstrução da infra-estrutura do país, essenciais para colocar o Afeganistão na era digital.
Na prática, o Afeganistão não sairá distribuindo modems com tecnologia de banda larga nos próximos tempos, e nem terá uma população completamente imersa na internet. É um país ainda marcado pela guerra civil, ilegalidade e pobreza.
Atualmente, serviços como acesso a e-mails ou quaisquer sites da internet custam cerca de US$ 10 por hora na região valor exorbitante para o Afeganistão, onde o salário médio é de US$ 40 por mês. Além disso, a população ainda não tem consciência do potencial da internet e a maioria tem conhecimentos básicos de informática.
Diante dessa situação, o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP, em inglês) iniciou a tarefa de implantar o “esqueleto” básico da internet para o Afeganistão pela criação dos domínios “.af” na web. “Ainda há muito a ser feito. Esse programa para criar o domínio .af, pela primeira vez é muito simbólico, mas muito pequeno”, explica Ercan Murat, diretor afegão para a UNDP.
O setor público está mais consciente do potencial da internet, e já tomou os primeiros passos para usá-la. Com a conscientização da UNDP, a internet é uma importante ferramenta para a Autoridade Afegã de Transição e para o parlamento local estabelecerem sua infra-estrutura no país.
Treinamento
Os treinamentos para as áreas de Ciência e Tecnologia do Afeganistão têm sido conduzidos pela UNDP em parceria com o setor privado. Companhias como a Microsoft e a Cisco já fizeram contribuições substanciosas para isso. A Microsoft, por exemplo, doou US$ 65 mil e 150 licenças para Windows XP e Office XP, além de fornecer manuais e serviços para quem estiver recebendo treinamento. Dezesseis centros afegãos devem receber treinamentos com produtos Microsoft.
A Cisco conduz os treinamentos na Universidade de Cabul, na capital afegã, que recebeu também 17 equipamentos da Dell e quatro PCs fornecidos pela UNDP, conectados a cinco roteadores. Como a faculdade não tem meios para suportar a rede, um gerador com sistema próprio de recarregamento e sistemas UPS protegem os equipamentos.
Guerra dos sexos
As doações já começaram a dar resultados. Estudantes locais que tiveram contato com a tecnologia absorveram conhecimentos importantes da era digital, assim como as mulheres, antes tão discriminadas no regime Taleban, que têm agora a oportunidade de se desenvolver.
Segundo Suraya Rahim, ministra para assuntos femininos, 52% da população é constituída por mulheres, sendo que 60 mil delas são viúvas habitantes da capital Cabul. “As mulheres podem aproveitar os conceitos transmitidos nas aulas para conseguir empregos por si mesmas e também para saber o que acontece no mundo”, destaca.
O futuro
Como o domínio da língua inglesa em Cabul é razoavelmente bom, existe otimismo quanto ao potencial do Afeganistão de exportar seus conhecimentos em TI no futuro. Alguns estudantes locais já almejam disseminar seus conhecimentos.
No entanto, apesar da ansiedade desses estudantes e dos avanços conquistados em Cabul, algumas províncias como Kandahar, por exemplo, não terão imediatamente as aulas de informática, principalmente por serem regiões ainda consideradas perigosas. Isso também inclui regiões montanhosas do Afeganistão, prejudicadas pelo difícil acesso e pelo fato de a instalação de cabos ópticos ser inviável economicamente.
Esse é o motivo pelo qual o ministro das Comunicações do Afeganistão, Mohamed Masoom Stanekzai, decidiu usar a tecnologia GSM (Global System for Mobile Communications) para integrar a comunicação no país. Ela será usada por duas operadoras, a Afghan Wireless e a Roshan.
Ainda de acordo com o ministro, a União Internacional de Telecomunicações proverá o desenvolvimento da rede de telecomunicações afegã, o que exigirá um investimento significativo. “Até 2007, o Afeganistão deve estar com sua infra-estrutura básica de internet e telefonia construídas”, diz Stanekzai.
Jonathan Howell-Jones – Network World, Afeganistão
Tradução de IDG Now!
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