Prossegue a grave dos auditores fiscais da Receita Federal – já são 41 dias de paralisação – e o setor eletroeletrônico já sente o reflexo dessa greve na sua produção.
A Abinee(Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica) enviou uma carta ao Secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, no dia 12 de junho, alertando para o prejuízo que começa a ser contabilizado, especialmente nas exportações, pelas empresas instaladas no País.
Sem acesso aos componentes importados – a maior parte dos produtos fabricados aqui no País tem um índice pequeno de nacionalização – e também sem poder escoar sua produção local para o exterior, os setores de TI e Telecomunicações têm dificuldades para cumprir os prazos de entrega dos produtos.
Na prática, a maior parte das empresas procuradas pela reportagem do CW Online prefere adotar a lei do silêncio, não querendo comentar o impacto da greve nas suas operações. Somente a Metron, fabricante de PCs e notebooks, admitiu que foi obrigada a ampliar seu volume de estoque para não correr riscos na sua produção.
De acordo com a Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, somente no Aeroporto de Viracopos, em Campinas – o principal entreposto de carga áerea do País – já foi registrado um prejuízo de US$ 30 milhões, referente a perdas de contratos, interrupção de produção e elevação dos custos de armazenagem.
Procurada pela reportagem do CW Online, a Associação das empresas usuárias do Recof(Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), que reúne fabricantes como Dell, Ericsson, HP, Motorola, Solectron, entre outras, não tinha porta-voz para falar sobre o impacto da greve no mercado de TI e Telecom. Os dois executivos da associação, o presidente Manuel Ornellas, da Motorola, e Hugo Valério, da HP,segundo suas assessorias de imprensa, não estavam disponíveis para entrevistas.
Segundo dados da própria Associação, o setor de TI respondeu por US%1,5 bilhão de produtos exportados em 2001, ficando em quarto lugar em exportações no País. Na área de telecomunicações, os terminais celulares são o produto mais exportados e responsáveis por bons resultados na balança comercial do segmento.
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