IBM mira saúde e agronegócio no Brasil em 2017

A IBM já definiu quais serão os dois setores-alvo para avançar durante 2017: saúde e agronegócios. Ao contrário de verticais como finanças e governo, os dois focos para este ano são áreas que, de acordo com Marcelo Porto, presidente da companhia no País, ainda precisam ser melhor exploradas. “Saúde e agronegócios são dois segmentos que respondem por cerca de 40% do PIB brasileiro”, comenta o executivo, em conversa com jornalistas durante o PartnerWorld Leadership Conference, realizado nesta semana em Las Vegas (EUA).

Para Porto, as duas indústrias têm enormes oportunidades de aplicações de tecnologias como blockchain, internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) ou capacidades cognitivas. “Vivemos em um mundo que o volume de dados é enorme e não cabe em sistema de dados com linhas e colunas, porque ele é desestruturado. Com isso, você precisa de capacidade cognitiva, elas têm demanda natural, pois esses dados vêm em imagem, vídeo, som, texto livre etc. Isso não cabe dentro de um banco de dados tradicional e não consegue se extrair com ferramenta analítica pura”, explica.

Esse avanço no setor da saúde pode representar, para Porto, uma realização pessoal. Há 30 anos na IBM – desde 2015 como líder no Brasil -, ele afirma que seu grande sonho seria deixar um legado de melhorias no setor da saúde no País. “Queremos transformar a saúde, com um serviço de tecnologia que seja assertivo em diagnóstico e que, com isso, toda a cadeia se beneficie. Esse é meu propósito”, disse.

No Brasil, o principal projeto da companhia no setor da saúde é com o Grupo Fleury, que trabalha em conjunto com a empresa norte-americana para testar e validar o Watson for Genomics como uma potencial ferramenta para prover informações e auxiliar a tomada de decisão médica na assistência personalizada. A parceria busca avanços que permitam aumentar precisão na medicina personalizada.

Mas a IBM quer ir além. “É um setor que queremos trazer coisas mais pesadas, principalmente oncologia com câncer”, acrescenta.

Retomada
Para o executivo, 2017 traz uma expectativa de crescimento, sobretudo por conta de um alinhamento global da empresa de manter investimentos. “O Brasil de certa forma já passou pelo pior momento. A bolsa brasileira está em recuperação, a norte-americana também. O perfil da IBM no Brasil não muda do global – não tem grandes distorções. E o Brasil tem benefício que não dependemos de uma indústria, há um leque de indústria bem eclético, o que mitiga os riscos.”

Atualmente, o Brasil está entre os oito principais mercados para a IBM globalmente, posição conquistada há muitos anos.

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da IBM

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