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HR Tech: a nova geração de recrutamento e recursos humanos

A tecnologia está dominando diversas áreas das empresas e a cada dia que passa vem mudando o jeito com que empresas atingem seus objetivos. Com o setor de recrutamento não é diferente: neste sentido, a novidade são as chamadas “HR techs“.

O termo HR Tech é empregado para empresas de tecnologia que aplicam suas soluções para resolver problemas ligados a recrutamento e seleção, além de outros desafios das áreas de recursos humanos. Os números são animadores: segundo um estudo da CB Insights publicado em março de 2017, em 2016 foram investidos globalmente US$ 2.2 bilhões no segmento de HR Tech.

O mercado de recrutamento – uma parte específica e fundamental do RH – é bastante tradicional. Empresas de recrutamento profissional, as famosas “agências” e “headhunters”, nasceram em sua maioria em meados do século XX e focaram em suprir requisitos específicos de empresas na busca por talentos. No entanto, ironicamente, a maior parte das start-ups que inicialmente focaram em RH não se concentraram de forma específica em encontrar talentos de alta qualidade.

Desde o advento da internet, as startups que de alguma forma se concentraram sobre o RH se restringiram basicamente a sites de vagas massificados ou sistemas de gestão de processos (os famosos ATS). Apenas recentemente, surgiram empresas digitais focadas em entregar às empresas os melhores candidatos, e não apenas uma plataforma para se conectar com sites de vagas.

Esse setor já caminha a passos largos nos mercados americano e asiático. Empresas como Hired e Lagou já receberam centenas de milhões de dólares em investimentos de Venture Capital. O próprio Google resolveu atacar o problema ajudando os candidatos, lançando a plataforma Cloud Job Discovery, que utiliza inteligência artificial para auxiliar candidatos a descobrirem quais vagas podem ser mais adequadas aos seus perfis.

Como no exemplo do Google Cloud Job Discovery, as principais tendências no setor de HR tech envolvem inteligência artificial e “Candidate Experience”. A primeira, que dispensa apresentações, envolve o uso de quantidades maciças de dados que são usados para “treinar” robôs para reconhecerem bons perfis. O “Candidate Experience”, por sua vez, é mais recente e envolve o uso de tecnologia para colocar o candidato no centro do seu processo seletivo.

HR techs focadas em candidate experience constituem um grande aliado para empresas que buscam os melhores candidatos. Ao colocar o candidato no centro do processo, agilizam significativamente a contratação. Para se ter uma ideia, consultorias e headhunters demoram em torno de 52 dias para preencher uma vaga. Com esse tipo de tecnologia, as plataformas de HR Tech fecham uma posição com uma velocidade 50% maior que o modelo tradicional de contratação.

Se as empresas de HR Tech estão desenvolvendo todas essas ferramentas para identificar talentos, é interessante sabermos como a nova geração vem enxergando o atual mercado de trabalho, afinal, é ela que constitui o principal alvo a ser impactado por essa evolução. De acordo o CB Insights, 22% dos millenials estão em busca de treinamento e desenvolvimento dentro de uma empresa. Além disso, este perfil de profissional está em busca de uma boa experiência dentro de uma corporação e tende a aceitar salários mais baixos, desde que isso venha atrelado a felicidade. Para os millennials, a realização profissional está totalmente ligada à qualidade de vida e à felicidade pessoal.

Em recente estudo sobre a força de trabalho desta era, a PwC mostra que a adaptabilidade é a chave do futuro para as organizações, os indivíduos e a sociedade enfrentarem essas mudanças. Assim, se de uma ponta o processo de recrutamento está em constante reinvenção, as empresas também precisam acompanhar essa transformação do público que pretende conquistar. Caso contrário, será impossível atrair grandes talentos.

*Lucas Mendes é cofundador da Revelo

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