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Hashtag: Meu outro computador é um data center

My other car is a Rolls Royce. Nos Estados Unidos, por volta dos anos 1970, não era difícil encontrar essa frase estampada em adesivos colados nos para-brisas traseiros de carros clássicos ou extravagantes. Os donos de tais veículos, em tom bem-humorado, queriam registrar que, embora suas conduções parecessem modestas ou exóticas, algo mais potente e moderno estava guardado em casa, para talvez ser usado em outro momento e outras condições.

Curiosamente, em 2006, tal frase seria revisitada e aplicada ao mundo da tecnologia da informação. Em um evento de desenvolvedores, o Google Developers Day, a frase apareceria estampada em um adesivo (sticker) colado na traseira da tela de um notebook de um dos apresentadores, com a seguinte grafia magistralmente adaptada: My other computer is a data center.

Uau, que ideia, que conceito; até em Português não perde o impacto e fica bom: Meu outro computador é um data center. #curti

Pense em qualquer serviço online que você usa: Google, Youtube, Facebook, Instagram, Twitter, Whatsapp, Snapchat. São plataformas digitais que recebem e guardam conteúdo de texto, fotos, áudio e vídeo de seus usuários. Tudo armazenado em data centers, que podem estar localizados em qualquer lugar do mundo, mas que ao mesmo tempo estão – em 99,999% das vezes, para usar uma medida técnica de acordo de serviço (SLA) – prontos para oferecer a você acesso imediato.

Ou seja, você tem um ambiente não-local dos seus dados e da computação dos mesmos, que você não vê, que não te pertence, mas que está ali disponível sempre. É o seu “outro computador”, além daquele no qual você está navegando e que está fisicamente com você, seja na forma de desktop, notebook ou mesmo smartphone.

Se fizermos tal afirmação em tom de descoberta – um tanto quanto óbvia e observável – da existência deste outro computador não-local, “não-seu” e 99,999% disponível a uma pessoa com menos de 18 anos, ouvirá com certeza um sonoro “Tio…qual a novidade nisto?”; o famoso “So What!?”, mais direto ao ponto do idioma Saxão. #normal

Agora imagine a mesma assertiva de descoberta e uma pequena correlação – não tão óbvia – para o uso moderno do conceito de “outro computador” ao típico gestor de TI corporativa; função ocupada por representantes da faixa alta da Geração X na casa dos 40 anos ou Baby Boomers experientes com 50 ou mais. Certamente ouvirá destes um “Tá louco!? Meus dados e a computação deles fora daqui, da minha vista? “. #nunca

Se pensarmos em tal contraste de reações e dos motivos do acalorado debate entre visões tão distintas quando o assunto é data center e computação em nuvem pública, veremos que talvez seja uma questão menos tecnológica e mais cultural. Similar ao debate “não tenho carro e só uso Uber” de um lado e “sou bem-sucedido, tenho um Porsche do ano e vou trabalhar com ele” do outro. Isto é bem cultural.

E aí cabe sim voltar a provocar perguntando: Por que o gestor da TI corporativa não quer ou tem receio de usar o “outro computador”? Será que o seu “outro computador” é um Rolls Royce e você não vem usando ele e nem mostrando ao mundo que ele existe? Ou melhor…será que o “outro computador” não deve ser usado “como Uber”, chamado quando preciso do serviço, dispensado o custo de se ter um carro? #TImode2

Para concluir, poderíamos chover no molhado aqui, revisitando argumentos já postos e largamente conhecidos: vantagens de Opex vs Capex pelo uso de data centers; a visão utilitária da TI do futuro; a elasticidade como atributo para atender os picos de usos de TI em novos modelos de negócios; o pagamento sob demanda e de acordo com o uso (pay as you go); o sucesso de uso com as startups que já começam usando data centers desde de seu day-one de funcionamento. #tánoGoogle

Mas, ao invés disso, vamos fazer diferente: ao gestor de TI que se sentiu desafiado pelo conceito e gostaria de melhorar o seu mindset quanto ao tema, deixamos a provocação contida na frase “meu outro computador é um data center” para pensar com tudo que foi dito acima, abotoada à reflexão bem sincera – tipo papo reto ao qual as novas gerações estão acostumadas – de que a Idade da Pedra terminou, mas não por falta de pedra. #fato #prontofalei

*Sigmar Frota é Chief Marketing Officer da Vert.

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