Mais núcleos
Então em que ponto estamos?
Bem, no que toca ao aumento da capacidade do processamento, parece que não dá para ir muito longe trilhando os caminhos convencionais, ou seja, aumentando a frequência de operação. Pois no que toca à tensão de alimentação, parece que já se chegou ao limite.
E no que diz respeito à redução da espessura da camada de silício, hoje em 32 nm, se está a um passo dele. Pois especula-se que em camadas de silício menos espessas que 25 nm seria impossível fabricar transistores, já que as distâncias entre “portas” internas seria tão pequena (inferior a 5 nm, ou seja, pouco maior que uma molécula) que o silício existente entre elas não seria suficiente para prover o isolamento necessário (veja detalhes na coluna “Lei de Moore: até quando? ? V A razão do limite“)
Ora, se chegamos ao limite da redução da tensão e da redução da camada de silício, então é impossível aumentar o desempenho dos microprocessadores aumentando sua frequência de operação, posto que seus valores máximos já foram alcançados nas últimas gerações de UCPs, pois não?
Sim, de fato, a prática tem mostrado isto. Após alguns modelos que operavam em 4 GHz, a indústria recuou e os microprocessadores atuais “de topo de linha” operam em frequências que pouco ultrapassam os 3 GHz.
O que não quer dizer que é impossível aumentar o desempenho, apenas que é impossível aumentar a frequência de operação.
Pois existe outra possibilidade.
Lembram-se do velho problema do curso colegial? Aquele que se tinha que resolver quando se aprendia “razões e proporções” e cujo enunciado era mais ou menos assim: “Se um pedreiro constrói vinte metros de muro em dez dias quantos pedreiros serão necessários para construir cem metros de muro em cinco dias?”
Pois a ideia é essa: contratar um ajudante.
Ou seja: se a tecnologia não permite aumentar ainda mais a capacidade de processamento de um processador de um só núcleo, vamos criar microprocessadores com mais de um núcleo (que funcionariam quase que como processadores independentes) e distribuir as necessidades de processamento entre eles.
É por isto que os processadores mais poderosos existentes atualmente no mercado possuem seis núcleos funcionando no mesmo encapsulamento. Isto, na prática, significa que no interior daquilo que continuamos a chamar de “processador” existem, na verdade, seis núcleos (“cores“, em inglês) quase independentes.
O que tudo isto tem a ver com o Fusion?
Tudo.
Porque se é possível adicionar mais núcleos para aumentar a capacidade de processamento de dados, por que não adicionar um ou mais dedicados ao processamento gráfico?
E este é justamente o assunto da próxima coluna, a última (prometo) desta série.
Que vai se dedicar exclusivamente à análise do Fusion e das características das novas famílias de processadores gráficos e de dados.
B. Piropo
Mais núcleos
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