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Fusão HP/EDS: Clientes têm respostas diferentes

Questionados sobre o que muda com a aquisição da EDS pela HP, os clientes das empresas tiveram respostas diferentes.

A HP vai se beneficiar com a quantidade de talento na EDS, mas a expectativa de demissões – movimento que presidente da EDS Ronald A. Rittenmeyer indicou ser possível conforme a integração for avançando – gera preocupações sobre a capacidade de atender os contratos já firmados, disse Nina Buik, presidente da Connect, grupo de usuários da HP com mais de 50 membros.

“De uma perspectiva de negócios, entendo que a consolidação do pessoal aconteça para evitar funções duplicadas. Mas quero ter certeza de que os clientes estarão recebendo o nível de serviço que acordaram. Essa é a minha maior preocupação”, disse Buik.

A compra da HP, que vai aumentar a competição com a líder em serviços IBM, foi aprovada pelos conselhos das duas companhias e tem expectativa de conclusão na segunda metade desse ano.

De acordo com a HP, a empresa adquirida vai ser chamada de “EDS – uma companhia HP” e continuará estabelecida em Palo, Texas (EUA). O atual CEO da EDS, Rittenmeyer vai continuar à frente da empresa, só que respondendo ao CEO da HP Mark Hurd.

Joe Lovetere, presidente da Hub Technical Services, disse estar surpreso com a HP, mas classificou a compra como “excitante” e disse que não vê ameaça à sua companhia, um canal de hardware da HP que fornece serviços. “Não vejo isso afetando nossos negócios [a empresa atua em governo e no SMB]. A EDS busca as contas grandes”, disse Lovetere.

A Xerox é uma dessas contas grandes. A empresa fechou contrato de 263 milhões de dólares em abril passado, no qual a EDS vai gerenciar seus usuários finais, service desk e seus mainframes. Procurada, a Xerox não afirmou se a aquisição vai levar a uma modificação no contrato.

Mesmo com o fato da HP e Xerox competirem no setor de impressão, um porta-voz da Xerox diminuiu o potencial impacto. “Esse movimento parece restrito à terceirização de TI, não na gestão de documentos”, disse Carl Langsenkamp, diretor de relações públicas da Xerox.

A divisão de hardware da HP representa outro ponto em aberto, já que a HP poderia tentar ir em busca de clientes da EDS para vender suas plataformas. Hurd insistiu na teleconferência que a EDS vai resistir perante essa tentação e se manter agnóstica em hardware [atuando com vários fornecedores].

Esse cenário é possível, disse Lovetere. “A EDS continua como um negócio que se sustenta sozinho, com um grupo central de clientes. Tentar forçar os clientes a comprar plataformas que eles não gostam não faz sentido”, disse.

A aquisição vai beneficiar as duas companhias em longo prazo, acredita Rick Morris, CIO da Dollar Thrifty Automotive (que assinou contrato de cinco anos com EDS de 150 milhões de dólares). “Estaria mais preocupado se a compra fosse feita por uma empresa menos conhecida do que HP”, disse.

Morris disse que o fato da HP ser uma empresa de produtos e a maior parte de receita da EDS sendo gerada via tereceirização de infra-estratura, a aquisição é uma maneira natural de tentar expandir o negócio de serviços. O executivo destacou que a nova companhia poderia derrubar os custos de TI da Dollar Thrifty ao trazer a cultura de produtos da HP e ter mais escala.

No entanto, ainda há dúvidas. A EDS foca bastante nas indústrias de turismo e transporte e fica a questão se a HP vai manter a atenção para essa vertical, disse Morris. Ele também fica em dúvida se a HP vai ser capaz de integrar as operações e a cultura da EDS dentro da mesma empresa.

“A fusão HP-Compaq foi bagunçada; então a maior dúvida é: ‘Eles vão executar essa fusão com mais habilidade?’”, disse Morris.

A HP comprou a Compaq por 25 bilhões de dólares em 2001 e o negócio foi considerado um fracasso, já que a companhia não conseguiu os lucros com hardware esperados com a fusão. Tanto que a antiga CEO Carly Fiorina da HP, responsável por decidir pela compra da Compaq, foi substituída por Hurd.

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