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Fintechs precisam de apoio do governo e dos grandes bancos para crescer

O cenário das fintechs começa a crescer no Brasil, mas os novos entrantes acreditam que apenas com apoio financeiro dos grandes bancos e de iniciativas governamentais vão chegar a um patamar superior. “Quem tem dinheiro neste País é banco. Quem tem dinheiro para comprar é banco. Eles vão fazer esse movimento de comprar uma empresa de cada segmento”, pontuou Rodrigo Dantas, CEO da Vindi, fintech que realiza integração de adquirentes em único sistema para companhias de serviços.

O executivo acredita que o setor começará a atrair olhares a partir do momento que tiver transacionando ou gerando grandes receitas financeiras. A ideia de Dantas foi defendida por Alan Chusid, sócio do Banco Neon, que participou do segundo dia de palestra no IT Forum Expo nesta quarta-feira (09/11), evento de tecnologia que acontece no WTC em São Paulo. Ele citou movimentos de aquisições que aconteceram fora do País, com o banco espanhol BBVA comprando as fintechs Single Bank e Atom Bank. 

“É o conjunto de tudo. O governo e os bancos precisam apoiar. O Brasil está começando a crescer com as fintechs e os grandes bancos estão percebendo esse movimento. Posso falar isso, nós estávamos no Cubo do Itaú (hub de startups)”, disse Chusid. “O ecossistema brasileiro precisa apoiar essas iniciativas. Estamos em um ótimo caminho com possibilidades infinitas.”

O empreendedor da Vindi, que antes de formar sua companhia esteve durante treze anos no Itaú e viu grande fusões com Bank of Boston e Unibanco, ressaltou que esse movimento, de os bancos comprarem as startups financeiras no Brasil, ainda não começou. Mas ganhará força em todo o segmento quando começar.

Clelson Diniz, COO da fintech Concil, que realiza conciliação de contas contábeis e gerenciamento de vendas por cartão de crédito e débito, frisou que as fintechs surgiram neste segmento para preencher uma lacuna que as grandes instituições financeiras, e que isso abre espaço para parcerias e até as aquisições.

“Bancos e adquirentes já tinham uma estrutura robusta, e isso fez que eles tivessem um custo maior para apresentar um novo produto ou serviço. Quando as fintechs surgiram, elas aparecem para criar um serviço específico do cliente”, falou Diniz. “Por conta disso, nós conseguimos ser muito mais rápidos e ganhamos mercado mais rapidamente. E os bancos olham como alternativa para as fintechs para complementar os produtos e serviços.”

Blockchain, aventureiros e regulamentação
Os especialistas foram questionados também sobre dois assuntos que estão em voga nos mercados internacionais, regulamentação para fintechs e o uso de blockchain no setor financeiro. Sobre regulamentação, o CEO da Vindi relatou que esteve recentemente com Fabio Lacerda, chefe-adjunto do Banco Central, e disse que a instituição que regula as operações financeiras do País está muita aberta para ouvir as fintechs e espera por novos passos neste sentido. 

“Eu conversei com Fabio Lacerda na semana passada. A regulamentação que o BC vai fazer deve separar o joio do trigo”, revelou o executivo. “Não é um negócio fácil, precisa de dinheiro, pagar auditoria. Setor de pagamento não tem aventureiro, quando vem quebra. A regulamentação está branda, mas nos próximos anos será bem regida.”

A entrada de ‘aventureiros’ no cenário de startups não é bem vista pelos novos executivos. Clelson Diniz acredita que esse problema acontece pelas circunstâncias financeiras que o Brasil, com diversas pessoas querendo investir em um novo segmento. Para ele, as fintechs precisam trabalhar com três pilares: uma boa ideia, ter pessoas com capacidade e a parte financeira.

Já sobre o blockchain, eles acreditam que faltam investimentos e regulamentação do BC para o setor. Dantas lembrou que grandes bancos estrangeiros com JP Morgan, Goldman Sachs e a bandeira de cartões Visa já investem no desenvolvimento da plataforma. No Brasil, ele ainda chama a atenção para a startup brasileira OriginalMy como expoente no setor.

Chusid, que também participou de eventos com BC e com a CVM, revelou que os reguladores dizem que “entendem que está vindo” e que o blockchain vai mudar o setor, mas ainda não sabem como regular. “Eles vão deixar acontecer. Ver até onde vai, e depois adaptar”, disse. 

Experiência do usuário
Uma das temáticas que os executivos abordaram durante o painel foi a importância da experiência do usuário no processo. Com etapas cada vez mais simples, como operações via smartphone, abertura de conta por selfies e rápido aprendizado no lançamento de produtos, eles acreditam que conseguem entregar uma experiência mais fidedigna e próxima daquilo que o consumidor precisa. “As fintechs vieram para prestar um serviço melhor para o usuário final”, frisou Dantas. “O perfil do consumidor mudou. Ele não vai aceitar o mais do mesmo.”

“Antigamente, as empresas criavam o produto sem pensar na usabilidade. Não adianta mais você pensar no que é bom para você. O tempo de mudança para uma empresa tão grande desenvolver é muito grande”, disse Chusid, ao complementar a fala de seu colega painelista.

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