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A filosofia por trás do Digitaú, na visão de Roberto Setubal

As tecnologias transformam radicalmente todos os setores. A indústria financeira se apressa para explorar as oportunidades que surgem a partir da massificação dos dispositivos móveis e da internet ,que impulsionam uma economia cada vez mais digital.

Em um painel sobre digitalização da sociedade realizado no Ciab Febraban, o presidente do Itaú detalhou a filosofia tecnológica que move o banco. “Há uma grande transformação no mundo, com muita coisa acontecendo”, enfatizou Roberto Egídio Setubal.

O executivo lembra que as tecnologias já impactam a sociedade há bastante tempo. A diferença, agora, é a velocidade com que essas transformações ocorrem. “Nunca estive tão envolvimento com TI quanto tenho nesse momento”, afirma.

Setubal observa que o grande ponto trazido pela revolução digital consiste em permitir um acesso direto das empresas a seus clientes, com um custo baixo. O presidente do Itaú cita que esse impacto na distribuição do produto dá a tônica da Quarta Revolução Industrial, vista no mundo atualmente.

O executivo citou os três eixos que direcionam a estratégia de transformação tecnológica do Itaú.

1. Negócio. “Temos que construir um negócio que faça sentido a partir das necessidades dos cliente”, estabelece. O executivo lembra que o Itaú foi organizado dentro de uma estrutura com uma visão mais de engenharia. “Essa semente deu muitos frutos”, comenta, citando a criação de diversos serviços que permitem a interação dos usuários através de meios eletrônicos.

Setubal enxerga o celular como o canal de interação mais importante com os clientes, na mesma medida que adiciona o grande desafio de focar na experiência do cliente. “O foco no consumidor é uma arte que precisa ser sempre aperfeiçoada”, diz.

De acordo com o presidente, o Itaú possui uma grande preocupação em melhorar a qualidade dos apps e criar mais capacidade de atendimento por meio de canais digitais. O executivo, ainda, ressalta a  importante uma infraestrutura de TI eficiente para garantir as entregas.

Por fim, ele indica que o banco observa com atenção o segmento de fintechs, encaradas como desafio (por adicionarem um potencial concorrente a cadeia) e uma oportunidade (na criação de parcerias e aprendizado valioso). “Teremos que correr. Acredito que a pressão será mais em termos de redução de margem do que perda de mercado”, avalia.

2. Cultura. “Internamente, entendemos que a questão de motivação do time para uma cultura digital é essencial”, afirma Setubal, que vê o contexto de digitalização trazendo outra velocidade às rotinas empresariais. “Isso é uma mudança interna enorme”, resume, afirmando que trata-se de um movimento que impacta na atuação do time, processos abertos, aceleração no desenvolvimento e troca de ideias constante com consumidores.

O mundo digital oferece uma série de oportunidades para instituições financeiras explorarem montanhas de informações para criar uma nova cultura de gestão. “A questão do Big Data é uma grande vantagem competitiva dos bancos em relação a fintechs. Sabendo usar esses dados, teremos mais capacidade”.

Outra mudança cultural nos bancos versa sobre a adoção de recursos em nuvem que, na visão de Setubal, “vai reduzir de forma significativa o custo de processamento de dados”. Segundo o executivo, o Itaú se prepara para adotar cloud de forma mais intensa a partir de 2016.

Além disso, há um esforço para abertura das interfaces do banco para criar um ecossistema de inovação. “Sabemos que não vamos conseguir resolver todos problemas. Por isso, vamos trabalhar nossa arquitetura mais aberta, com APIs que permitam que desenvolvedores trabalhem com nosso sistema de forma segura”, afirma, para acrescentar: “A cultura precisa estar aberta a tudo que está ao redor e essa mudança é essencial”.

3. Marca. O terceiro eixo de digitalização do Itaú versa sobre utilizar mecanismos sociais para engajar ainda mais seus clientes. Setubal cita um esforço gigantesco do banco para promover o relacionamento com pessoas nas redes. “É um desafio grande para estar próximo do público jovem, que vai ser o grande usuário dos serviços do banco”, projeta.

A ideia é utilizar esses mecanismos com olhos nos resultados. “Avaliamos todas receitas que são geradas nesse mundo e o resultado cresce de forma mais rápida”, afirma, citando que esse acompanhamento ajuda a criar valor nos projetos digitais. “Não acredito em nada que não gere resultado”, conclui.

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