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Exército começa se equipar para guerra cibernética

O termo guerra cibernética aos poucos se populariza. Cada vez mais países incluem em sua política de defesa nacional uma estratégia voltada para defesa no ciberespaço. No Brasil, não é diferente. De acordo com o general Antonino dos Santos Guerra Neto, do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica (CCOMGEX) do Exército brasileiro, por orientação do Ministério da Defesa a instituição passou a desenhar essa estratégia e, dentro desse trabalho, estava a necessidade de se firmar uma parceria com uma companhia especializada em segurança.

A parceria está selada. Após um processo de licitação, o Exército fechou com a Panda Security a aquisição de 37,5 mil licenças da plataforma Panda Security for Enterprise. Mas, além disso, será feito um trabalho de cooperação onde as duas partes saem ganhando: a empresa de segurança por ter acesso a todo o conhecimento do Exército e necessidades que podem vir a gerar novos produtos, além de abrir as portas no governo federal; o Exército por ganhar treinamento para 700 profissionais e vivenciar uma troca de experiência que incluirá visitas ao laboratório da Panda, em Bilbao, na Espanha.

“Somos mais de seiscentas organizações militares no Brasil e precisávamos de uma solução de alto nível técnico e com condição econômica satisfatória”, aponta o general Santos Guerra. “Mas não queríamos apenas uma compra, mas um fornecedor disposto a uma parceria.” De acordo com o militar, foram seis meses de trabalho envolvendo testes de soluções para saber quais atenderiam melhor as necessidades da instituição.

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Apesar de a compra estar vinculada a uma licitação regida pela regra do menor preço, ele queria certificar-se de que os participantes do processo teriam condições de atender às necessidades. Hoje, o Exército tem uma rede com mais de 60 mil PCs. O contrato fechado ficou em R$ 292,5 mil, um valor bem abaixo do mercado. Cada licença que custa em torno de R$ 460 por dois anos, saiu por menos de R$ 8 para o mesmo período. “Reduzimos a estimativa de investimento em mais de sete mil por centro”, frisa o general, lembrando que o custo com segurança antes da licitação estava na casa dos R$ 12 milhões anuais.

Isso porque, antes desse contrato com a Panda, não havia um direcionamento de padronizar, cada organização fazia sua licitação e adquiria a solução. Tanto é que existem softwares de segurança de diversos fabricantes. Agora a regra é que toda a organização utilize a solução da espanhola. Para contornar esse problema, a Panda passará a contar os dois anos de licença a partir de oito meses do início da implantação. Hoje, 10% das licenças estão instaladas e 350 militares foram treinados para uso da ferramenta.

Como o modelo de compra é por Ata de Registro de Preço, há possibilidade de expandir a solução para Aeronáutica e Marinha, se assim for o desejo das instituições. Santos Guerra lembra que as licenças adquiridas neste momento cobrem 60% da base de computadores, mas assinala que a licitação tem validade de 12 meses, deixando no ar a possibilidade de novas compras no período. Sem dar números exatos, o militar lembra que é preciso um sistema robusto pelas tentativas de invasão. “Elas são enormes, centenas por dia. Mas não tivemos nenhuma que causasse prejuízo, apenas desconforto.”

Além do software de segurança, treinamento e colaboração na construção de ferramentas, o contrato garante que a Panda analisará, em até 24 horas, qualquer conteúdo virtual com suspeita de código malicioso que trafegar na rede do Exército.

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